HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2025
Paciente, 70 anos, apresenta icterícia progressiva. Realizou colangioressonância que evidenciou estenose atingindo a confluência dos ductos hepáticos e do ducto hepático direito. Essa estenose é classificada como Bismuth-Corlette do Tipo:
Bismuth IIIa = Confluência + Hepático Direito; IIIb = Confluência + Hepático Esquerdo.
A classificação de Bismuth-Corlette define a extensão proximal de tumores hilares (Klatskin), sendo o tipo IIIa caracterizado pelo acometimento da confluência e do ducto hepático direito.
O colangiocarcinoma hilar, ou tumor de Klatskin, representa cerca de 50-70% de todos os colangiocarcinomas. A classificação de Bismuth-Corlette, embora puramente anatômica e baseada na extensão ductal, permanece como a ferramenta mais utilizada para descrever a localização dessas lesões. A apresentação clássica é a icterícia obstrutiva progressiva e indolor, muitas vezes acompanhada de perda ponderal. No caso clínico apresentado, a estenose atinge a confluência e o ducto hepático direito, o que preenche estritamente os critérios para o Tipo IIIa. É importante notar que esta classificação não leva em conta a invasão vascular (veia porta e artéria hepática), que é abordada por outras classificações como a de Blumgart, mas para fins de provas de residência, o domínio da anatomia ductal de Bismuth é o requisito mais frequente.
A classificação é dividida em: Tipo I (abaixo da confluência, ducto hepático comum livre); Tipo II (envolve a confluência dos ductos hepáticos direito e esquerdo); Tipo IIIa (envolve a confluência e o ducto hepático direito); Tipo IIIb (envolve a confluência e o ducto hepático esquerdo); e Tipo IV (envolve a confluência e ambos os ductos hepáticos direito e esquerdo, ou é multicêntrico).
Ela é fundamental para o planejamento cirúrgico do colangiocarcinoma hilar (Tumor de Klatskin). Determina a ressecabilidade e a extensão da hepatectomia necessária. Por exemplo, tumores Tipo IIIa geralmente exigem uma hepatectomia direita associada à ressecção da via biliar, enquanto o Tipo IV frequentemente indica inoperabilidade ou necessidade de procedimentos extremamente complexos e transplante em protocolos específicos.
A colangioressonância (CPRM) é o padrão-ouro não invasivo para mapear a árvore biliar. Ela permite visualizar com precisão o ponto exato da obstrução e a extensão do tumor para os ductos intra-hepáticos de segunda ordem. Isso permite ao cirurgião classificar o paciente antes da laparotomia, avaliando o envolvimento vascular associado, o que é crucial para definir o prognóstico e a tática operatória.
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