HSL Copacabana - Hospital São Lucas Copacabana (RJ) — Prova 2021
Paciente 37 anos, submetida a colecistectomia videolaparoscópica por colecistite aguda calculosa e evoluiu com icterícia progressiva no pós operatório e elevação das enzimas canaliculares. Realizou colangio RNM no 8 DPO conforme imagem abaixo.Em relação a classificação de Bismuth, classifique a lesão:
Classificação de Bismuth: Lesão biliar tipo III = estenose no ducto hepático comum, atingindo a confluência dos ductos hepáticos.
A classificação de Bismuth é usada para graduar estenoses ou lesões iatrogênicas da via biliar principal, geralmente após colecistectomia. O tipo III indica uma estenose no ducto hepático comum que atinge a confluência dos ductos hepáticos direito e esquerdo, mas sem separá-los completamente.
As lesões de via biliar são complicações iatrogênicas graves da colecistectomia, especialmente a videolaparoscópica, apesar de sua baixa incidência. A identificação precoce e a classificação precisa são cruciais para o manejo adequado e para evitar morbidade e mortalidade significativas. A icterícia progressiva e a elevação das enzimas canaliculares no pós-operatório são sinais de alerta importantes. A classificação de Bismuth é a ferramenta mais utilizada para descrever a localização anatômica das estenoses ou lesões do ducto biliar principal. O tipo I envolve o ducto hepático comum distal, tipo II o ducto hepático comum proximal, tipo III atinge a confluência dos ductos hepáticos sem separá-los, tipo IV separa os ductos hepáticos direito e esquerdo, e tipo V envolve um ducto hepático aberrante. O diagnóstico é frequentemente realizado por colangio-RNM, que oferece excelente detalhe anatômico sem ser invasivo. O tratamento depende da classificação de Bismuth e geralmente envolve reparo cirúrgico complexo, como uma hepaticojejunostomia em Y de Roux. O prognóstico a longo prazo pode ser desafiador, com risco de colangite recorrente e estenoses.
As lesões de via biliar são complicações raras, mas graves, da colecistectomia, geralmente causadas por erro técnico durante a dissecção, como ligadura, secção ou cauterização inadvertida do ducto biliar principal ou seus ramos.
A classificação de Bismuth localiza a estenose ou lesão em relação à confluência dos ductos hepáticos, orientando a escolha da técnica cirúrgica de reparo, que pode variar de anastomoses bilioentéricas (como hepaticojejunostomia) a reconstruções mais complexas, dependendo do nível da lesão.
Os sintomas incluem icterícia progressiva, dor abdominal, febre e elevação de enzimas canaliculares (FA, GGT, bilirrubinas). O diagnóstico é confirmado por exames de imagem como ultrassonografia, TC, CPRE ou colangio-RNM, que visualizam a anatomia biliar e a localização da lesão.
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