Pancreatite Aguda: Critérios de Atlanta e Gravidade

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024

Enunciado

Diante da necessidade de estratificação da gravidade da pancreatite aguda na chegada ao pronto atendimento, foram elaborados diversos escores prognósticos. Atualmente, os critérios mais utilizados para determinar a gravidade desse quadro são os critérios de Atlanta que consistem em:

Alternativas

  1. A) Leucócitos, TGO, Glicose, Idade, LDH.
  2. B) Ureia, creatinina, sódio, necrose pancreáfica.
  3. C) Presença de falência orgânica, complicações sistêmicas (SIRS) ou complicações locais (abscesso, necrose, pseudocisto).
  4. D) Amilase e lipase.
  5. E) Amilase, lipase e PCR.

Pérola Clínica

Atlanta → Gravidade = Falência orgânica + Complicações (locais ou sistêmicas).

Resumo-Chave

A classificação de Atlanta revisada é o padrão-ouro para definir gravidade na pancreatite aguda, focando na presença de falência orgânica e complicações morfológicas ou sistêmicas.

Contexto Educacional

A estratificação de gravidade na pancreatite aguda evoluiu significativamente com a revisão de Atlanta em 2012. Diferente de escores como Ranson, que dependem de variáveis coletadas em 48 horas, Atlanta permite uma classificação dinâmica baseada no estado clínico do paciente. A distinção entre falência orgânica transitória e persistente é crucial, pois a persistência (>48h) está associada a taxas de mortalidade de até 30-50%. Na prática clínica, o médico deve monitorar rigorosamente os sinais de SIRS e a função dos órgãos-alvo. A presença de complicações locais, como a necrose, aumenta o risco de infecção secundária, mas é a falência orgânica que dita o manejo em unidade de terapia intensiva. O conhecimento desses critérios é fundamental para a correta alocação de recursos e definição de prognóstico no pronto atendimento.

Perguntas Frequentes

O que define a pancreatite aguda grave segundo Atlanta?

A pancreatite aguda grave é definida pela presença de falência orgânica persistente, ou seja, aquela que dura mais de 48 horas. A falência orgânica é avaliada pelos sistemas respiratório (relação PaO2/FiO2), renal (creatinina sérica) e cardiovascular (pressão arterial sistólica), geralmente utilizando o escore de Marshall modificado. Diferencia-se da forma moderadamente grave, onde a falência é transitória (resolve em menos de 48h) ou existem apenas complicações locais/sistêmicas sem falência persistente.

Quais são as complicações locais consideradas nos critérios de Atlanta?

As complicações locais incluem coleções fluidas peripancreáticas agudas, pseudocistos pancreáticos, coleções necróticas agudas e necrose encapsulada (WON - walled-off necrosis). Essas complicações são identificadas preferencialmente por tomografia computadorizada com contraste após 72-96 horas do início dos sintomas, momento em que a delimitação da necrose é mais evidente. A presença dessas complicações, sem falência orgânica persistente, classifica a pancreatite como moderadamente grave.

Qual a diferença entre complicações sistêmicas e falência orgânica?

Complicações sistêmicas referem-se à exacerbação de doenças pré-existentes, como doença coronariana ou doença pulmonar obstrutiva crônica, desencadeadas pela resposta inflamatória da pancreatite. Já a falência orgânica refere-se à disfunção aguda de sistemas vitais (pulmão, rim, coração) provocada diretamente pela cascata inflamatória sistêmica (SIRS) da pancreatite aguda, sendo o principal determinante de mortalidade precoce na doença.

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