SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024
Diante da necessidade de estratificação da gravidade da pancreatite aguda na chegada ao pronto atendimento, foram elaborados diversos escores prognósticos. Atualmente, os critérios mais utilizados para determinar a gravidade desse quadro são os critérios de Atlanta que consistem em:
Atlanta → Gravidade = Falência orgânica + Complicações (locais ou sistêmicas).
A classificação de Atlanta revisada é o padrão-ouro para definir gravidade na pancreatite aguda, focando na presença de falência orgânica e complicações morfológicas ou sistêmicas.
A estratificação de gravidade na pancreatite aguda evoluiu significativamente com a revisão de Atlanta em 2012. Diferente de escores como Ranson, que dependem de variáveis coletadas em 48 horas, Atlanta permite uma classificação dinâmica baseada no estado clínico do paciente. A distinção entre falência orgânica transitória e persistente é crucial, pois a persistência (>48h) está associada a taxas de mortalidade de até 30-50%. Na prática clínica, o médico deve monitorar rigorosamente os sinais de SIRS e a função dos órgãos-alvo. A presença de complicações locais, como a necrose, aumenta o risco de infecção secundária, mas é a falência orgânica que dita o manejo em unidade de terapia intensiva. O conhecimento desses critérios é fundamental para a correta alocação de recursos e definição de prognóstico no pronto atendimento.
A pancreatite aguda grave é definida pela presença de falência orgânica persistente, ou seja, aquela que dura mais de 48 horas. A falência orgânica é avaliada pelos sistemas respiratório (relação PaO2/FiO2), renal (creatinina sérica) e cardiovascular (pressão arterial sistólica), geralmente utilizando o escore de Marshall modificado. Diferencia-se da forma moderadamente grave, onde a falência é transitória (resolve em menos de 48h) ou existem apenas complicações locais/sistêmicas sem falência persistente.
As complicações locais incluem coleções fluidas peripancreáticas agudas, pseudocistos pancreáticos, coleções necróticas agudas e necrose encapsulada (WON - walled-off necrosis). Essas complicações são identificadas preferencialmente por tomografia computadorizada com contraste após 72-96 horas do início dos sintomas, momento em que a delimitação da necrose é mais evidente. A presença dessas complicações, sem falência orgânica persistente, classifica a pancreatite como moderadamente grave.
Complicações sistêmicas referem-se à exacerbação de doenças pré-existentes, como doença coronariana ou doença pulmonar obstrutiva crônica, desencadeadas pela resposta inflamatória da pancreatite. Já a falência orgânica refere-se à disfunção aguda de sistemas vitais (pulmão, rim, coração) provocada diretamente pela cascata inflamatória sistêmica (SIRS) da pancreatite aguda, sendo o principal determinante de mortalidade precoce na doença.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo