Classificação ASA e Manejo de AAS no Pré-Operatório

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

HMA: Paciente feminina, 62 anos. Vem para consulta pré-operatória de herniorrafia inguinal videolaparoscopica totalmente extraperitonial (TEP). HMP: Hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2, infarto prévio tratado com angioplastia com stent farmacológico há 7 anos. Faz acompanhamento regular com cardiologista. Assintomática, executa funções do dia a dia e sobe 2 lances de escada sem dificuldades e faz hidroginástica 3 vezes por semana. CHV: Tabagista 40 maços/ano, etilista social. MUC: Losartana, Metformina, Rosuvastatina, Ezetimibe, AAS 100mg/dia. Ao exame: FC 68 bpm. PA 125x70 mmHg. SatO₂ 96%. Demais sem alterações. 1,64m, 62kg (IMC 22). Creatinina: 0,8 mg/dl. Sobre o manejo pré-operatório dessa paciente, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) A Paciente necessita de liberação do cardiologista, já que tem risco cardiovascular elevado pelo escore de Lee.
  2. B) Devido ao infarto prévio, a paciente tem Capacidade funcional menor de 4 METs.
  3. C) Por se tratar de uma paciente assintomática, com boa capacidade funcional e comorbidades controladas, deve-se liberar para o procedimento cirúrgico, suspendendo todas as medicações de uso contínuo.
  4. D) Trata-se de uma paciente classificada como ASA 3 pela American Society of Anesthesiologists e deve manter o uso do AAS para a cirurgia proposta.
  5. E) Para procedimentos invasivos, deve-se sempre solicitar exames de coagulação, como contagem de plaquetas, TAP e KPTT, uma vez que diversas coagulopatias podem passar despercebidas e aumentam o risco de sangra- mento de forma significativa.

Pérola Clínica

ASA 3 = Doença sistêmica grave não incapacitante. Manter AAS em cirurgias de baixo risco hemorrágico e alto risco CV.

Resumo-Chave

Pacientes com infarto prévio e comorbidades controladas são classificados como ASA 3. A manutenção do AAS depende do equilíbrio entre risco trombótico e hemorrágico do procedimento.

Contexto Educacional

A avaliação pré-operatória visa estratificar o risco de complicações e otimizar o estado clínico do paciente. A classificação da American Society of Anesthesiologists (ASA) é uma ferramenta universal para descrever o estado físico. Pacientes com histórico de infarto agudo do miocárdio, mesmo que estáveis, carregam um risco basal elevado devido à doença aterosclerótica sistêmica. O manejo de medicações crônicas, como antiagregantes e hipoglicemiantes, deve seguir protocolos baseados em evidências. Em cirurgias de baixo risco hemorrágico, a manutenção do AAS é a conduta padrão para evitar trombose de stent ou novos eventos coronarianos. A solicitação de exames de coagulação de rotina para pacientes sem história de sangramento não é recomendada pelas diretrizes atuais.

Perguntas Frequentes

O que define um paciente como ASA 3?

A classificação ASA 3 refere-se a pacientes com doença sistêmica grave que limita a atividade, mas não é incapacitante. Exemplos incluem diabetes ou hipertensão mal controladas, DPOC, obesidade mórbida, insuficiência renal crônica, ou história de infarto do miocárdio há mais de 3 meses. No caso da paciente, o infarto prévio com stent e as comorbidades (HAS/DM) justificam a classificação, mesmo estando assintomática no momento.

Quando manter o AAS no período perioperatório?

O AAS deve ser mantido em pacientes com alto risco cardiovascular (especialmente aqueles com stents coronarianos) submetidos a procedimentos com baixo risco de sangramento, como a herniorrafia inguinal. A suspensão só é recomendada quando o risco de sangramento grave supera o benefício da proteção isquêmica, como em neurocirurgias, cirurgias de canal medular ou ressecções transuretrais de próstata.

Como avaliar a capacidade funcional no pré-operatório?

A capacidade funcional é medida em Equivalentes Metabólicos (METs). A capacidade de subir dois lances de escada, realizar atividades domésticas pesadas ou praticar esportes como hidroginástica indica uma capacidade > 4 METs. Pacientes com boa capacidade funcional (> 4 METs) apresentam menor risco de complicações cardíacas perioperatórias, muitas vezes dispensando exames complementares cardíacos adicionais se estiverem estáveis.

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