Trauma Renal: Classificação AAST e Lesão Grau IV

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 22 anos de idade foi admitido no prontosocorro após ser vítima de ferimento por arma de fogo na região toracoabdominal esquerda. Na admissão, os sinais vitais eram PA = 85 mmHg X 60 mmHg, FC = 125 bpm, FR = 28 irpm, temperatura = 36,2 °C e SatO2 = 92% em ar ambiente. Ao exame físico, observou-se orifício de entrada na região lombar esquerda, hematoma palpável e em expansão na região lombar, abdome rígido, com sinais de peritonite, hematúria macroscópica e rebaixamento progressivo do nível de consciência. Realizou tomografia computadorizada com contraste, que evidenciou laceração extensa no parênquima do rim esquerdo, estendendo-se ao córtex, à medula e ao sistema coletor, com extravasamento de contraste, hematoma perirrenal volumoso e sinais de comprometimento vascular segmentar. O rim contralateral apresentava-se normal.De acordo com os dados apresentados no caso e segundo a Associação Americana de Cirurgia do Trauma (AAST), qual é a classificação dessa lesão renal por grau?

Alternativas

  1. A) Grau II
  2. B) Grau III
  3. C) Grau IV
  4. D) Grau V

Pérola Clínica

Laceração renal córtex/medula/sistema coletor + extravasamento contraste + hematoma volumoso + comprometimento vascular segmentar = AAST Grau IV.

Resumo-Chave

A lesão renal Grau IV da AAST envolve laceração profunda do parênquima que se estende ao sistema coletor, podendo incluir lesão vascular segmentar ou hematoma perirrenal volumoso, indicando um trauma significativo com potencial de comprometimento funcional.

Contexto Educacional

O trauma renal é uma lesão urológica comum, frequentemente associada a traumas abdominais ou toracoabdominais significativos. A avaliação e classificação precisas são cruciais para determinar a conduta terapêutica e otimizar os resultados do paciente. A American Association for the Surgery of Trauma (AAST) desenvolveu um sistema de classificação amplamente aceito que gradua as lesões renais de I a V, com base na extensão do dano. A tomografia computadorizada com contraste é o exame de imagem de escolha para avaliar o trauma renal, permitindo a visualização detalhada do parênquima, sistema coletor e vasos renais. Uma lesão Grau IV, como a descrita no caso, envolve uma laceração parenquimatosa profunda que se estende ao sistema coletor, com extravasamento de contraste, e pode incluir lesão vascular segmentar ou hematoma perirrenal volumoso. Isso indica um comprometimento significativo que pode levar a complicações como fístulas urinárias, infecção ou perda de função renal. O manejo do trauma renal varia conforme o grau da lesão. Lesões de baixo grau (I-II) são geralmente tratadas de forma conservadora, enquanto lesões de alto grau (III-V) podem exigir intervenção cirúrgica (exploração, reparo, nefrectomia parcial ou total) ou procedimentos endovasculares (embolização). A estabilidade hemodinâmica do paciente é o fator mais importante na decisão de conduta, com pacientes instáveis necessitando de intervenção imediata.

Perguntas Frequentes

Quais são as características de uma lesão renal Grau IV pela AAST?

Uma lesão renal Grau IV pela AAST é caracterizada por laceração do parênquima que se estende ao sistema coletor (com extravasamento de urina), lesão vascular segmentar com infarto de mais de 25% do parênquima, ou lesão da artéria/veia renal com sangramento contido.

Por que a tomografia computadorizada com contraste é essencial no trauma renal?

A TC com contraste é o padrão-ouro para avaliar o trauma renal, pois permite visualizar a extensão da laceração parenquimatosa, a presença de hematomas, o extravasamento de contraste (indicando lesão do sistema coletor ou vascular) e a viabilidade do parênquima renal.

Qual a importância da classificação AAST no manejo do trauma renal?

A classificação da AAST (American Association for the Surgery of Trauma) é crucial para guiar a conduta no trauma renal. Lesões de baixo grau (I-II) geralmente são manejadas conservadoramente, enquanto lesões de alto grau (III-V) podem exigir intervenções mais agressivas, incluindo cirurgia ou embolização.

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