UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Você é chamado para atender o nascimento de um recém-nascido (RN) com idade gestacional de 27 semanas, peso estimado de 1100 g, cuja interrupção da gestação foi indicada por doença hipertensiva específica da gravidez. Ao conversar com o obstetra, indique a alternativa correta com relação ao planejamento do clampeamento de cordão:
Prematuro vigoroso → Clampeamento tardio (≥30s). Não vigoroso → Clampeamento imediato.
O clampeamento tardio do cordão em prematuros estáveis reduz a necessidade de transfusões e o risco de hemorragia intracraniana por melhorar a volemia inicial.
O manejo do cordão umbilical no momento do parto é uma intervenção simples com grande impacto na morbimortalidade neonatal. A fisiologia da transição fetal-neonatal depende da expansão pulmonar e da substituição do fluxo placentário pelo fluxo pulmonar. O clampeamento tardio facilita essa transição ao manter o débito cardíaco durante a aeração dos pulmões. No contexto da prematuridade extrema (como o caso de 27 semanas), a proteção contra a hemorragia intracraniana torna essa prática um pilar do cuidado intensivo neonatal.
O clampeamento tardio do cordão umbilical (realizado entre 30 a 60 segundos após o nascimento) permite a transferência de um volume adicional de sangue da placenta para o recém-nascido (transfusão placentária). Em prematuros, esse volume extra melhora a estabilidade hemodinâmica nos primeiros dias de vida, aumenta os níveis de hemoglobina e os estoques de ferro, e está associado a uma redução significativa na incidência de hemorragia peri-intraventricular e enterocolite necrosante.
O clampeamento deve ser imediato sempre que o recém-nascido não apresentar vitalidade ao nascer, ou seja, se estiver em apneia, com respiração irregular ou bradicárdico (FC < 100 bpm). Nesses casos, a prioridade absoluta é iniciar as manobras de reanimação neonatal (Passos Iniciais e Ventilação por Pressão Positiva) na 'Regra de Ouro' do primeiro minuto, e o atraso para o clampeamento pode comprometer o desfecho neurológico.
Sim. Para recém-nascidos prematuros (abaixo de 34 semanas), as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam o clampeamento tardio (30-60 segundos) apenas se o RN estiver ativo e respirando. Para RNs a termo saudáveis, o tempo recomendado é de pelo menos 60 segundos. Em situações de risco materno-fetal agudo, como descolamento prematuro de placenta ou placenta prévia com sangramento, o clampeamento imediato é mandatório independentemente da vitalidade do RN.
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