SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Uma criança de três meses de idade, avaliada em consulta de puericultura, é classificada, pelas curvas de crescimento da Organização Mundial de Saúde, como portadora de muito baixo peso e com perímetro cefálico abaixo do esperado para a idade. É internada para investigação do quadro, sendo solicitada tomografia de crânio que demonstrou calcificações intracranianas periventriculares. Acerca desse caso clínico e considerando os conhecimentos médicos correlatados, julgue o item a seguir. Trombocitopenia é um achado possível nesse caso.
Calcificações periventriculares + microcefalia + baixo peso em lactente → suspeitar CMV congênito, trombocitopenia é achado comum.
A presença de calcificações intracranianas periventriculares, microcefalia e baixo peso em um lactente é altamente sugestiva de infecção congênita por Citomegalovírus (CMV). A trombocitopenia é um achado hematológico comum nessa condição, contribuindo para o espectro de manifestações clínicas.
O citomegalovírus (CMV) é a causa mais comum de infecção congênita viral e uma das principais causas de deficiência auditiva e atraso no desenvolvimento neurológico em crianças. A infecção primária materna durante a gestação, especialmente no primeiro trimestre, aumenta o risco de transmissão vertical e de manifestações clínicas graves no feto. A prevalência da infecção congênita por CMV varia, mas é uma condição de grande impacto na saúde pública devido às suas sequelas a longo prazo. O diagnóstico de CMV congênito é suspeitado por achados ultrassonográficos pré-natais (microcefalia, calcificações intracranianas, hidropsia fetal) ou por manifestações clínicas pós-natais, como as descritas no caso: muito baixo peso, perímetro cefálico abaixo do esperado (microcefalia) e calcificações intracranianas periventriculares. A trombocitopenia é um achado hematológico frequente, resultante da supressão da medula óssea ou da destruição periférica de plaquetas, e pode se manifestar com petéquias ou púrpura. O tratamento para CMV congênito sintomático pode envolver o uso de ganciclovir ou valganciclovir, especialmente para prevenir a progressão da perda auditiva e outras sequelas neurológicas. Para residentes, é fundamental reconhecer o espectro clínico do CMV congênito, desde formas assintomáticas até as mais graves, e estar atento aos achados de imagem e laboratoriais que direcionam o diagnóstico e a conduta. O acompanhamento multidisciplinar é essencial para crianças afetadas.
Na tomografia de crânio, as infecções congênitas como o CMV podem apresentar calcificações intracranianas, que são classicamente periventriculares no CMV, mas podem ser difusas em outras etiologias como a toxoplasmose.
Outros achados laboratoriais comuns incluem anemia, icterícia direta, elevação de enzimas hepáticas, e pleocitose no líquido cefalorraquidiano. A detecção do vírus em urina ou saliva nas primeiras semanas de vida confirma o diagnóstico.
As manifestações mais graves incluem microcefalia, surdez neurossensorial, retardo do desenvolvimento neuropsicomotor, convulsões, coriorretinite, hepatoesplenomegalia e icterícia prolongada. A trombocitopenia pode levar a petéquias e púrpura.
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