HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Lactente com 2 meses de idade é encaminhado ao atendimento especializado por apresentar microcefalia e crises convulsivas de difícil controle. A mãe, adolescente e sem acompanhamento pré-natal, não relatou intercorrências relevantes durante a gestação, mas refere episódio de febre baixa e sintomas gripais no primeiro trimestre da gravidez. No exame de imagem, foram identificadas calcificações periventriculares ao redor dos ventrículos laterais, microcefalia e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Nos exames complementares, o teste de triagem auditiva neonatal revelou perda auditiva neurossensorial bilateral. Estas alterações são mais compatíveis com infecção congênita causada por:
Calcificações periventriculares + surdez neurossensorial + microcefalia = Citomegalovírus (CMV).
O CMV é a infecção congênita mais comum e a principal causa não hereditária de surdez neurossensorial na infância, caracterizando-se por calcificações ao redor dos ventrículos.
O Citomegalovírus (CMV) é um DNA-vírus da família Herpesviridae e representa a infecção congênita mais prevalente globalmente. A transmissão ocorre via transplacentária, podendo acontecer tanto em infecções primárias quanto em reativações maternas, embora o risco de transmissão e gravidade seja significativamente maior na infecção primária durante o primeiro trimestre. Fisiopatologicamente, o vírus causa destruição tecidual e processos inflamatórios no sistema nervoso central em desenvolvimento. Além da microcefalia e calcificações periventriculares, o quadro clínico pode incluir petéquias (blueberry muffin rash), hepatoesplenomegalia e icterícia colestática. O diagnóstico neonatal deve ser confirmado nas primeiras 3 semanas de vida através da detecção do DNA viral na urina ou saliva (PCR), para diferenciar a infecção congênita da adquirida no canal de parto ou amamentação.
Esta é uma distinção clássica em provas de residência. No Citomegalovírus (CMV), as calcificações intracranianas são tipicamente periventriculares, localizadas ao redor dos ventrículos laterais, devido ao tropismo do vírus pela zona germinativa subependimária. Na Toxoplasmose congênita, as calcificações são difusas, espalhadas por todo o parênquima cerebral, e frequentemente associadas à tríade de Sabin (coriorretinite, hidrocefalia e calcificações).
A perda auditiva neurossensorial é a sequela mais frequente e importante do CMV congênito. Ela pode estar presente ao nascimento ou ser de início tardio e progressiva, o que exige monitoramento audiológico rigoroso de crianças expostas durante os primeiros anos de vida. O CMV é considerado a principal causa de surdez não genética na infância em todo o mundo.
A suspeita surge quando a gestante apresenta um quadro de síndrome 'mononucleose-like' (febre, mal-estar, linfonodomegalia) com testes para Mononucleose (EBV) negativos. No ultrassom fetal, sinais como microcefalia, restrição de crescimento intrauterino (RCIU), calcificações intracranianas ou hepáticas, e ascite podem sugerir a infecção. A confirmação na gestante é feita por sorologia (IgM e IgG com teste de avidez) e no feto por PCR do líquido amniótico.
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