INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Recém-nascido com 36 semanas de idade gestacional, parto cesariano, Apgar 6 e 8, peso de nascimento = 2.100 g, evoluiu com sintomas precoces e graves nas primeiras 24 horas de vida (icterícia, hepatoesplenomegalia, elevação das enzimas hepáticas, anemia, trombocitopenia e hemorragia), associados ao quadro de microcefalia com calcificações cerebrais periventriculares, microftalmia, corriorretinite e surdez. A principal hipótese diagnóstica para esta infecção congênita e o tratamento de escolha são, respectivamente:
Calcificações periventriculares + surdez + microcefalia = Citomegalovírus (CMV) congênito.
O CMV é a infecção congênita mais comum; as calcificações periventriculares são patognomônicas quando comparadas às calcificações difusas da toxoplasmose.
O Citomegalovírus (CMV) pertence à família Herpesviridae. A infecção fetal ocorre por via transplacentária durante a viremia materna (primária ou reativação). O quadro clínico clássico inclui petéquias (blueberry muffin rash), icterícia, hepatoesplenomegalia e alterações neurológicas. O diagnóstico padrão-ouro no RN é a detecção do DNA viral na urina ou saliva nas primeiras 3 semanas de vida.
No CMV, as calcificações intracranianas são tipicamente periventriculares (ao redor dos ventrículos). Na Toxoplasmose, as calcificações são geralmente difusas e espalhadas por todo o parênquima cerebral.
A surdez neurossensorial é a sequela não progressiva mais comum, podendo ser unilateral ou bilateral e, muitas vezes, manifestando-se tardiamente na infância, mesmo em bebês assintomáticos ao nascimento.
O tratamento com ganciclovir (ou valganciclovir oral) está indicado para recém-nascidos com doença sintomática no sistema nervoso central ou doença multissistêmica grave, visando reduzir a progressão da perda auditiva e melhorar o neurodesenvolvimento.
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