HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2020
Ao examinar um neonato a termo, o médico notou uma leve hepatomegalia. O restante do exame físico foi normal, incluindo a circunferência cefálica e as retinas. Na urina, desenvolveu-se o citomegalovírus. A ultrassonografia da cabeça resultou normal. Os exames subsequentes não evidenciaram distúrbios metabólicos. Que déficit tem mais probabilidade de ocorrer no ano seguinte?
CMV congênito, mesmo leve ou assintomático, tem alto risco de perda auditiva sensorioneural tardia.
A infecção congênita por citomegalovírus (CMV) é a causa infecciosa mais comum de deficiência neurossensorial em crianças. Mesmo em neonatos que apresentam poucos ou nenhum sintoma ao nascimento (como apenas uma leve hepatomegalia), há um risco significativo de desenvolver perda auditiva sensorioneural (SNHL) progressiva ou de início tardio no primeiro ano de vida ou posteriormente. Por isso, o monitoramento auditivo é fundamental.
A infecção congênita por citomegalovírus (CMV) é a infecção viral congênita mais comum, afetando cerca de 0,2% a 2% dos nascidos vivos. Embora a maioria dos neonatos infectados seja assintomática ao nascimento, o CMV congênito é a principal causa infecciosa de deficiência neurossensorial e deficiência auditiva em crianças. A transmissão ocorre in utero, e a gravidade das manifestações clínicas é variável, dependendo do momento da infecção e da imunidade materna. As manifestações clínicas do CMV congênito podem ser amplas, desde formas assintomáticas até doença grave multissistêmica. Em casos sintomáticos, pode haver restrição de crescimento intrauterino, microcefalia, calcificações intracranianas, coriorretinite, hepatomegalia, esplenomegalia, icterícia e petéquias. No entanto, mesmo em neonatos com apresentação leve ou assintomática, como o caso descrito com apenas hepatomegalia e exames neurológicos normais, o risco de sequelas a longo prazo persiste, sendo a perda auditiva sensorioneural a mais proeminente e frequentemente de início tardio ou progressiva. O diagnóstico de CMV congênito é confirmado pela detecção do vírus na urina, saliva ou sangue do neonato nas primeiras três semanas de vida. O tratamento com antivirais (ex: valganciclovir) pode ser considerado para neonatos sintomáticos para reduzir o risco de sequelas neurológicas e auditivas. O acompanhamento a longo prazo é essencial, especialmente o monitoramento audiométrico regular, devido ao alto risco de perda auditiva sensorioneural, que pode se manifestar ou progredir nos primeiros anos de vida, impactando significativamente o desenvolvimento da linguagem e cognição.
As manifestações podem variar de assintomáticas a graves. As mais comuns incluem petéquias, icterícia, hepatomegalia, esplenomegalia, microcefalia, calcificações intracranianas, coriorretinite e, a sequela mais frequente, a perda auditiva sensorioneural.
Mesmo em casos de CMV congênito com poucos sintomas ao nascimento, o vírus pode causar danos progressivos às células ciliadas da cóclea, resultando em perda auditiva sensorioneural que pode ser de início tardio ou piorar ao longo do tempo, tornando-a a sequela mais provável e insidiosa.
A triagem auditiva neonatal é crucial para identificar precocemente a perda auditiva. Em neonatos com CMV congênito, mesmo com triagem normal ao nascimento, o acompanhamento audiométrico regular é fundamental devido ao risco de perda auditiva de início tardio ou progressiva, permitindo intervenção precoce e melhor prognóstico.
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