CMV Congênito: Diagnóstico e Sinais Clínicos em Neonatos

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Menino, 5 dias de vida, apresenta icterícia colestática, púrpura, hepatomegalia e esplenomegalia. Emissão otoacústica: resposta ausente bilateral. Tomografia de crânio: atrofia cortical, dilatação ventricular e calcificações periventriculares. Considerando o diagnóstico mais provável, qual exame é o mais recomendado para identificar o agente etiológico da doença?

Alternativas

  1. A) Cultura no líquido cefalorraquidiano.
  2. B) Cultura no sangue.
  3. C) Dosagem de IgM específica.
  4. D) PCR na urina.

Pérola Clínica

RN com icterícia colestática, púrpura, hepatoesplenomegalia, surdez e calcificações periventriculares → CMV congênito. PCR na urina é o melhor exame.

Resumo-Chave

O quadro clínico de icterícia colestática, púrpura, hepatoesplenomegalia, surdez e calcificações periventriculares em um recém-nascido é altamente sugestivo de infecção congênita por Citomegalovírus (CMV). O diagnóstico definitivo é feito pela detecção do DNA viral em fluidos corporais, sendo a PCR na urina o método mais sensível e recomendado nos primeiros 3 semanas de vida.

Contexto Educacional

A infecção congênita por Citomegalovírus (CMV) é a infecção viral congênita mais comum, afetando cerca de 0,2% a 2% dos nascidos vivos. Embora a maioria dos casos seja assintomática ao nascimento, aproximadamente 10-15% dos recém-nascidos infectados apresentam manifestações clínicas, que podem variar de leves a graves e potencialmente fatais. O diagnóstico precoce é crucial para o manejo e para a possibilidade de intervenção antiviral. O quadro clínico de um recém-nascido com CMV congênito sintomático é polimórfico, mas frequentemente inclui icterícia colestática, púrpura trombocitopênica, hepatoesplenomegalia, microcefalia, restrição de crescimento intrauterino, coriorretinite e, classicamente, calcificações periventriculares na tomografia de crânio. A perda auditiva sensorioneural é uma sequela comum e pode ser progressiva. O diagnóstico definitivo de CMV congênito é estabelecido pela detecção do vírus em amostras de urina, saliva ou sangue coletadas nas primeiras 3 semanas de vida. A técnica de PCR para detecção do DNA viral na urina é considerada o padrão-ouro devido à sua alta sensibilidade e especificidade. O tratamento com antivirais como o ganciclovir ou valganciclovir pode ser considerado para recém-nascidos sintomáticos para reduzir a progressão da perda auditiva e melhorar o neurodesenvolvimento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da infecção congênita por Citomegalovírus (CMV)?

Os achados clínicos incluem icterícia colestática, púrpura trombocitopênica, hepatoesplenomegalia, microcefalia, restrição de crescimento intrauterino, coriorretinite, surdez sensorioneural e calcificações intracranianas, especialmente periventriculares.

Por que a PCR na urina é o exame mais recomendado para diagnóstico de CMV congênito?

A PCR na urina é altamente sensível e específica para detectar o DNA do CMV em recém-nascidos, especialmente quando coletada nas primeiras 3 semanas de vida. A excreção viral na urina é prolongada e em altas concentrações, tornando-a uma amostra ideal para o diagnóstico.

Quais são as complicações a longo prazo do CMV congênito?

As complicações a longo prazo podem incluir perda auditiva sensorioneural progressiva, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, deficiência intelectual, paralisia cerebral, problemas visuais e convulsões, mesmo em crianças que inicialmente parecem assintomáticas.

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