CMV Congênito: O Papel das Calcificações Periventriculares

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2025

Enunciado

Neonato nascido de parto vaginal com histórico de mãe sem pré-natal adequado,prematuridade e apresentando precocemente icterícia, plaquetopenia, hepatomegalia,petéquias e com exame de imagem mostrando calcificações periventriculares provavelmente apresenta:

Alternativas

  1. A) Sífilis congênita.
  2. B) Toxoplasmose congênita.
  3. C) Citomegalovírus congênito.
  4. D) Tuberculose congênita.

Pérola Clínica

Infecção congênita + calcificações periventriculares na neuroimagem = Citomegalovírus (CMV) até prova em contrário.

Resumo-Chave

A presença de calcificações intracranianas periventriculares em um neonato com quadro de infecção congênita (icterícia, petéquias, hepatoesplenomegalia) é o achado mais característico de Citomegalovírus (CMV). A toxoplasmose congênita, principal diagnóstico diferencial, classicamente cursa com calcificações difusas.

Contexto Educacional

As infecções congênitas, agrupadas no acrônimo TORCH (Toxoplasmose, Outras, Rubéola, Citomegalovírus, Herpes), são causas importantes de morbidade neonatal. O Citomegalovírus (CMV) é a infecção congênita mais comum em todo o mundo. A transmissão ocorre de uma mãe com infecção primária ou reativação durante a gestação para o feto. A maioria dos neonatos infectados (cerca de 90%) é assintomática ao nascer, mas uma parcela pode desenvolver sequelas tardias, principalmente a surdez neurossensorial. Cerca de 10% dos recém-nascidos infectados apresentam sintomas ao nascimento. O quadro clínico pode incluir restrição de crescimento, microcefalia, hepatoesplenomegalia, icterícia, petéquias e trombocitopenia. O acometimento do sistema nervoso central é particularmente grave e se manifesta por achados de neuroimagem característicos. As calcificações periventriculares, visualizadas na ultrassonografia transfontanela, tomografia ou ressonância magnética, são altamente sugestivas de CMV congênito. O diagnóstico é confirmado pela detecção do DNA viral por PCR na urina ou saliva do neonato nas primeiras três semanas de vida. O manejo de crianças sintomáticas com Ganciclovir ou Valganciclovir pode melhorar os resultados a longo prazo. Devido ao alto risco de surdez neurossensorial, todo recém-nascido com diagnóstico de CMV congênito, mesmo assintomático, deve ter acompanhamento audiológico rigoroso.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clínicos clássicos da infecção congênita por CMV?

Os achados incluem restrição de crescimento intrauterino, microcefalia, hepatoesplenomegalia, icterícia com hiperbilirrubinemia direta, petéquias por trombocitopenia (aspecto de 'blueberry muffin') e coriorretinite. A surdez neurossensorial é a sequela mais comum, podendo estar presente mesmo em crianças assintomáticas ao nascer.

Qual o tratamento para o CMV congênito sintomático?

O tratamento de escolha para neonatos com doença sintomática do sistema nervoso central ou doença sistêmica grave é o Ganciclovir intravenoso ou seu pró-fármaco oral, Valganciclovir, por um período de 6 meses. O tratamento visa reduzir a progressão da doença e melhorar os desfechos auditivos e neurológicos.

Como diferenciar CMV de toxoplasmose congênita clinicamente?

Embora haja sobreposição, a toxoplasmose congênita é classicamente associada à Tríade de Sabin: coriorretinite, hidrocefalia e calcificações cerebrais difusas. O CMV, por outro lado, está mais associado a microcefalia, calcificações periventriculares e surdez neurossensorial. O diagnóstico definitivo requer exames sorológicos e moleculares específicos.

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