SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Uma criança de três meses de idade, avaliada em consulta de puericultura, é classificada, pelas curvas de crescimento da Organização Mundial de Saúde, como portadora de muito baixo peso e com perímetro cefálico abaixo do esperado para a idade. É internada para investigação do quadro, sendo solicitada tomografia de crânio que demonstrou calcificações intracranianas periventriculares. Acerca desse caso clínico e considerando os conhecimentos médicos correlatados, julgue o item a seguir. O tratamento deve ser realizado com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico.
Calcificações periventriculares + Microcefalia = Citomegalovírus (CMV) → Tratar com Ganciclovir.
As calcificações periventriculares são patognomônicas do CMV congênito, enquanto a Toxoplasmose apresenta calcificações difusas. O tratamento de escolha para CMV é antiviral (Ganciclovir/Valganciclovir).
O Citomegalovírus é a infecção congênita mais comum em países desenvolvidos e em desenvolvimento. O quadro clínico clássico inclui petéquias, hepatoesplenomegalia, icterícia e microcefalia. A identificação de calcificações periventriculares na neuroimagem é um marcador forte para CMV. O diagnóstico definitivo é feito pela detecção do DNA viral (PCR) na urina ou saliva coletadas nas primeiras 2 a 3 semanas de vida.
No Citomegalovírus (CMV) congênito, as calcificações intracranianas são tipicamente periventriculares, localizadas ao redor dos ventrículos laterais, refletindo a predileção do vírus pela zona germinativa subependimária. Já na Toxoplasmose congênita, as calcificações são geralmente difusas e espalhadas pelo parênquima cerebral, sem uma distribuição específica, frequentemente acompanhadas de hidrocefalia obstrutiva.
O tratamento de escolha para recém-nascidos com CMV congênito sintomático (envolvimento do SNC, microcefalia, coriorretinite ou doença multissistêmica) é o Ganciclovir intravenoso ou o seu pró-fármaco oral, o Valganciclovir. O objetivo do tratamento é reduzir a carga viral e mitigar a progressão da perda auditiva neurossensorial e atrasos no neurodesenvolvimento, geralmente mantido por 6 meses.
O CMV é a principal causa não genética de surdez neurossensorial na infância. Além da perda auditiva, que pode ser progressiva ou de início tardio, as crianças podem apresentar microcefalia, atraso global do desenvolvimento psicomotor, paralisia cerebral, deficiência visual (coriorretinite) e crises epilépticas, dependendo da gravidade da infecção intrauterina.
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