CMV Congênito: Diagnóstico e Tratamento com Valganciclovir

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Recém-nascido, 7 dias de vida, nascido "pequeno para a idade gestacional", que apresentou icterícia, é trazido ao ambulatório de seguimento do hospital com relato de dificuldade para mamar e consequente baixo ganho de peso. A gravidez foi tranquila, mas, no segundo trimestre, a mãe apresentou febre e uma erupção cutânea discreta, que desapareceu sem tratamento. Ao exame físico, o bebê apresenta manutenção da icterícia com a qual saiu da maternidade, e hepatoesplenomegalia. Diante da história, o pediatra suspeitou de uma infecção congênita e pretende solicitar exames laboratoriais para investigação. Indique o fármaco mais adequado para tratamento desse recém-nascido, caso seja confirmada a principal suspeita diagnóstica:

Alternativas

  1. A) Valganciclovir.
  2. B) Azitromicina.
  3. C) Fluconazol.
  4. D) Cidofovir.

Pérola Clínica

Icterícia + Hepatoesplenomegalia + Rash materno → CMV congênito → Valganciclovir oral.

Resumo-Chave

O Citomegalovírus (CMV) é a infecção congênita mais comum; o tratamento com valganciclovir oral por 6 meses reduz sequelas auditivas e neuropsicomotoras em sintomáticos.

Contexto Educacional

O Citomegalovírus congênito é uma das principais causas de morbidade neonatal global. A transmissão ocorre via transplacentária, frequentemente após infecção primária materna ou reativação durante a gestação. O diagnóstico é confirmado pela detecção do DNA viral na urina ou saliva do RN nas primeiras 3 semanas de vida. O manejo precoce com antivirais é crucial, pois o CMV interfere na organogênese do sistema auditivo e nervoso central, e o tratamento demonstrou eficácia em mitigar esses danos, especialmente se iniciado nos primeiros 30 dias de vida.

Perguntas Frequentes

Quando indicar o tratamento para CMV congênito?

O tratamento está indicado para recém-nascidos com doença sintomática ao nascimento, o que inclui manifestações no sistema nervoso central (microcefalia, calcificações intracranianas), coriorretinite, perda auditiva neurossensorial, ou doença sistêmica grave (trombocitopenia grave, hepatite, hepatoesplenomegalia importante). O objetivo principal é prevenir a progressão da perda auditiva e melhorar o desfecho do neurodesenvolvimento.

Qual a droga de escolha e duração do tratamento?

A droga de escolha para o tratamento ambulatorial é o valganciclovir oral. Em casos graves que exigem internação, pode-se iniciar com ganciclovir intravenoso. Estudos atuais recomendam a manutenção da terapia por 6 meses para otimizar os resultados auditivos e de desenvolvimento a longo prazo, monitorando sempre a toxicidade hematológica (neutropenia).

Quais os principais achados clínicos do CMV congênito?

Os achados clássicos incluem restrição de crescimento intrauterino (PIG), icterícia colestática, hepatoesplenomegalia, petéquias (aspecto de 'muffin de mirtilo'), microcefalia e calcificações intracranianas periventriculares. É a principal causa não hereditária de surdez neurossensorial na infância.

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