CMV Congênito: Diagnóstico e Sequela Mais Comum

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Recém-nascido de mãe sem acompanhamento pré-natal apresenta hepatoesplenomegalia, erupções cutâneas petequiais, icterícia e microcefalia ao nascimento. Encaminhado à UTI neonatal devido à gravidade, apresenta, aos exames laboratoriais, hiperbilirrubinemia direta, elevação de transaminases hepáticas e trombocitopenia. A ultrassonografia transfontanela evidencia calcificações periventriculares. A sequela de longo prazo mais comum em relação a essa doença é:

Alternativas

  1. A) cegueira
  2. B) convulsão
  3. C) perda auditiva
  4. D) retardo mental

Pérola Clínica

CMV congênito: calcificações periventriculares + hepatoesplenomegalia → perda auditiva sensorioneural é a sequela mais comum.

Resumo-Chave

A infecção congênita por Citomegalovírus (CMV) é a causa infecciosa mais comum de perda auditiva sensorioneural não hereditária em crianças. Os achados clínicos como microcefalia, calcificações periventriculares e hepatoesplenomegalia são altamente sugestivos de CMV congênito, e a perda auditiva é a sequela de longo prazo mais frequente e debilitante.

Contexto Educacional

A infecção congênita por Citomegalovírus (CMV) é a infecção viral congênita mais comum, afetando cerca de 0,2% a 2% dos nascidos vivos. É uma causa importante de morbidade e mortalidade neonatal, com um espectro clínico que varia de doença assintomática ao nascimento a manifestações graves e multissistêmicas. O reconhecimento precoce é crucial para o manejo e a tentativa de mitigar as sequelas a longo prazo. Clinicamente, a suspeita de CMV congênito surge em recém-nascidos com achados como microcefalia, calcificações intracranianas (especialmente periventriculares), hepatoesplenomegalia, icterícia, trombocitopenia e erupções cutâneas petequiais. A ultrassonografia transfontanela é um exame chave para identificar as calcificações. A fisiopatologia envolve a replicação viral em diversos tecidos fetais, levando a danos orgânicos e inflamação. O diagnóstico definitivo é feito pela detecção do DNA viral em fluidos corporais do recém-nascido nas primeiras semanas de vida. O tratamento com antivirais como o ganciclovir ou valganciclovir pode ser considerado em casos sintomáticos para reduzir a progressão da perda auditiva e outras sequelas neurológicas, mas deve ser iniciado precocemente. O prognóstico é variável, sendo a perda auditiva sensorioneural a sequela mais comum, afetando até 50% dos recém-nascidos sintomáticos e 10-15% dos assintomáticos. A vigilância auditiva e o acompanhamento do desenvolvimento são essenciais para todos os bebês com CMV congênito.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do Citomegalovírus congênito?

Os principais sinais incluem microcefalia, calcificações periventriculares, hepatoesplenomegalia, icterícia, erupções petequiais, trombocitopenia e hiperbilirrubinemia direta. A gravidade varia de assintomática a doença grave multissistêmica.

Qual é a sequela de longo prazo mais comum da infecção congênita por CMV?

A sequela de longo prazo mais comum e significativa da infecção congênita por Citomegalovírus é a perda auditiva sensorioneural, que pode ser unilateral ou bilateral, progressiva e de início tardio, mesmo em casos assintomáticos ao nascimento.

Como é feito o diagnóstico de CMV congênito e qual a importância da triagem?

O diagnóstico é feito pela detecção do vírus (PCR) na urina ou saliva do recém-nascido nas primeiras 3 semanas de vida. A triagem é vital para identificar bebês em risco de perda auditiva e outras sequelas, permitindo intervenção precoce.

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