CMV vs Toxoplasmose Congênita: Diagnóstico Diferencial

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020

Enunciado

Uma criança de três meses de idade, avaliada em consulta de puericultura, é classificada, pelas curvas de crescimento da Organização Mundial de Saúde, como portadora de muito baixo peso e com perímetro cefálico abaixo do esperado para a idade. É internada para investigação do quadro, sendo solicitada tomografia de crânio que demonstrou calcificações intracranianas periventriculares. Acerca desse caso clínico e considerando os conhecimentos médicos correlatados, julgue o item a seguir. O diagnóstico provável é o de toxoplasmose congênita.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Calcificações periventriculares → CMV; Calcificações difusas/esparsas → Toxoplasmose.

Resumo-Chave

Embora ambas causem microcefalia e calcificações, a localização periventricular é altamente sugestiva de Citomegalovírus (CMV), enquanto a toxoplasmose apresenta calcificações distribuídas aleatoriamente pelo parênquima.

Contexto Educacional

As infecções congênitas do grupo TORCH (Toxoplasmose, Outras/Sífilis, Rubéola, Citomegalovírus e Herpes) compartilham apresentações clínicas como restrição de crescimento intrauterino e microcefalia, mas achados radiológicos podem direcionar o diagnóstico. O Citomegalovírus é a infecção congênita mais comum e a principal causa não hereditária de surdez neurossensorial na infância. No caso descrito, a presença de calcificações periventriculares na tomografia de crânio é o 'ponto-chave' que torna o diagnóstico de toxoplasmose improvável (tornando a afirmação da questão 'Errada'). O CMV tem tropismo pela região subependimária periventricular, onde ocorre a replicação viral e posterior necrose calcificada. O manejo envolve avaliação auditiva e oftalmológica rigorosa e, em casos sintomáticos, tratamento com antivirais como o valganciclovir para reduzir sequelas auditivas e do neurodesenvolvimento.

Perguntas Frequentes

Qual o padrão de calcificação na Toxoplasmose congênita?

Na toxoplasmose congênita, as calcificações intracranianas são tipicamente difusas e espalhadas por todo o parênquima cerebral, frequentemente associadas a hidrocefalia obstrutiva e coriorretinite (Tétrade de Sabin).

Quais as principais manifestações clínicas do CMV congênito?

O CMV congênito pode se manifestar com microcefalia, petéquias (rash em 'muffin de mirtilo'), hepatosplenomegalia, icterícia neonatal e, crucialmente, perda auditiva neurossensorial, que pode ser progressiva ou de início tardio.

Como é feito o diagnóstico definitivo de CMV congênito?

O diagnóstico padrão-ouro é a detecção do DNA do CMV por PCR na urina ou saliva do recém-nascido, coletada obrigatoriamente nas primeiras 3 semanas de vida para diferenciar a infecção congênita da adquirida no período perinatal.

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