CMV Congênito: Diagnóstico e Diretrizes de Rastreio

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020

Enunciado

Uma criança de três meses de idade, avaliada em consulta de puericultura, é classificada, pelas curvas de crescimento da Organização Mundial de Saúde, como portadora de muito baixo peso e com perímetro cefálico abaixo do esperado para a idade. É internada para investigação do quadro, sendo solicitada tomografia de crânio que demonstrou calcificações intracranianas periventriculares. Acerca desse caso clínico e considerando os conhecimentos médicos correlatados, julgue o item a seguir. O rastreio dessa infecção durante a gestação é preconizado pelas diretrizes do Ministério da Saúde.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Calcificações periventriculares + microcefalia → Citomegalovírus (CMV) congênito.

Resumo-Chave

O CMV é a infecção congênita mais comum. O Ministério da Saúde não recomenda o rastreio universal na gestação por falta de evidência em intervenções custo-efetivas.

Contexto Educacional

O Citomegalovírus (CMV) é a principal causa de surdez neurossensorial não hereditária na infância. A apresentação clínica clássica inclui petéquias, hepatoesplenomegalia, icterícia e microcefalia. O diagnóstico padrão-ouro no neonato é a detecção do DNA viral na urina ou saliva por PCR nas primeiras três semanas de vida. Após esse período, torna-se difícil distinguir entre infecção congênita e perinatal. Na prática clínica, diante de uma criança com microcefalia e calcificações periventriculares, o CMV deve ser a primeira hipótese. Embora o rastreio não seja preconizado pelo MS, a identificação precoce no recém-nascido permite o tratamento com ganciclovir ou valganciclovir em casos graves, visando reduzir a progressão da perda auditiva e melhorar o prognóstico neuropsicomotor.

Perguntas Frequentes

Por que o MS não recomenda o rastreio universal de CMV?

O Ministério da Saúde não recomenda o rastreio universal de rotina para Citomegalovírus (CMV) durante o pré-natal porque não há evidências robustas de que intervenções durante a gestação (como imunoglobulina ou antivirais) reduzam significativamente a transmissão vertical ou melhorem o desfecho fetal de forma custo-efetiva em larga escala. Além disso, a interpretação sorológica é complexa devido à possibilidade de reativação ou reinfecção por diferentes cepas em gestantes previamente imunes.

Qual a diferença radiológica entre CMV e Toxoplasmose congênita?

No CMV congênito, as calcificações intracranianas são tipicamente periventriculares, localizadas ao redor dos ventrículos laterais. Já na Toxoplasmose congênita, as calcificações costumam ser difusas pelo parênquima cerebral, sem uma distribuição específica, frequentemente acompanhadas de hidrocefalia obstrutiva e coriorretinite.

Quais as principais sequelas do CMV congênito?

A sequela mais comum e importante é a perda auditiva neurossensorial, que pode ser progressiva ou de início tardio. Outras manifestações incluem atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, microcefalia, coriorretinite e deficiências visuais. O diagnóstico precoce é fundamental para o acompanhamento auditivo e intervenção oportuna.

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