CMV Congênito: Diagnóstico por Imagem e Manejo

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020

Enunciado

Uma criança de três meses de idade, avaliada em consulta de puericultura, é classificada, pelas curvas de crescimento da Organização Mundial de Saúde, como portadora de muito baixo peso e com perímetro cefálico abaixo do esperado para a idade. É internada para investigação do quadro, sendo solicitada tomografia de crânio que demonstrou calcificações intracranianas periventriculares. Acerca desse caso clínico e considerando os conhecimentos médicos correlatados, julgue o item a seguir. A imunoglobulina hiperimune para essa doença pode ser administrada até, no máximo, cinco dias após o contato de comunicantes suscetíveis.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Calcificações periventriculares + microcefalia = CMV congênito. (Toxoplasmose = calcificações difusas).

Resumo-Chave

O Citomegalovírus (CMV) é a infecção congênita mais comum. Diferente da Varicela ou Hepatite B, não há indicação de imunoglobulina hiperimune pós-exposição para prevenir a transmissão vertical ou tratar o neonato.

Contexto Educacional

O Citomegalovírus (CMV) é um DNA-vírus da família Herpesviridae e representa a principal causa de surdez neurossensorial não hereditária e atraso no desenvolvimento em crianças. A transmissão pode ocorrer via transplacentária durante uma infecção materna primária ou reativação/reinfecção. O quadro clínico clássico inclui petéquias, hepatosplenomegalia, icterícia colestática, microcefalia e restrição de crescimento intrauterino. O diagnóstico diferencial com outras infecções do grupo TORCH é essencial. A diferenciação radiológica é um ponto chave em provas de residência: o CMV apresenta calcificações que 'contornam' os ventrículos (periventriculares), enquanto a toxoplasmose apresenta calcificações espalhadas pelo parênquima. O manejo atual foca no diagnóstico precoce via PCR na urina ou saliva (nas primeiras 3 semanas de vida) e tratamento antiviral prolongado para mitigar sequelas neurológicas.

Perguntas Frequentes

Quais os achados clássicos do CMV congênito na neuroimagem?

Os achados mais característicos na tomografia ou ultrassonografia de crânio de um recém-nascido com CMV congênito são as calcificações periventriculares. Estas calcificações ocorrem devido à predileção do vírus pelas áreas de matriz germinativa subependimária, levando à necrose e posterior calcificação. Além disso, podem ser observadas microcefalia, ventriculomegalia, alterações da migração neuronal (como lisencefalia ou polimicrogiria) e vasculopatia mineralizante nos tálamos.

Existe imunoglobulina hiperimune para CMV?

Embora existam estudos sobre o uso de imunoglobulina hiperimune específica para CMV em gestantes com infecção primária para tentar reduzir a transmissão vertical, as evidências atuais (incluindo grandes ensaios clínicos randomizados) não demonstraram benefício significativo na prevenção da infecção fetal ou na melhora dos desfechos neonatais. Portanto, seu uso não é recomendado rotineiramente. Para comunicantes suscetíveis ou profilaxia pós-exposição, a imunoglobulina hiperimune não tem indicação estabelecida, ao contrário do que ocorre com o vírus da Varicela-Zoster ou Hepatite B.

Qual o tratamento de escolha para CMV congênito sintomático?

O tratamento de escolha para recém-nascidos com infecção congênita por CMV sintomática (especialmente com envolvimento do Sistema Nervoso Central ou perda auditiva) é o Valganciclovir oral por 6 meses. O uso de Ganciclovir intravenoso pode ser considerado em casos graves com impossibilidade de via oral. O tratamento visa reduzir a progressão da perda auditiva neurossensorial e melhorar os desfechos de desenvolvimento neuropsicomotor, devendo ser iniciado preferencialmente no primeiro mês de vida.

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