USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Recém-nascido de parto normal, a termo, após uma gestação sem intercorrências. Mãe de 25 anos, G2, saudável, com acompanhamento pré-natal adequado. As sorologias maternas foram negativas com 10 semanas de gestação e no momento do parto (HIV, VDRL, toxoplasmose IgG/IgM, hepatites B e C). Ao nascimento, foi observado que o recém-nascido apresentava peso no percentil 4 para a idade gestacional, petéquias em face e tronco, hepatoesplenomegalia e microcefalia. Exames realizados: Hemograma com Hb/Ht normais, série branca normal, plaquetas 87.000/µL; TGO 92 U/L (VR até 32 U/L); TGP normal; fundoscopia ocular: sem alterações; ultrassom transfontanelar: presença de calcificações periventriculares; triagem auditiva: ausência de respostas bilateralmente; análise de líquido cefalorraquidiano normal. Qual é o tratamento indicado para a causa mais provável deste quadro?
CMV congênito grave: RCIU, microcefalia, calcificações periventriculares, hepatoesplenomegalia, plaquetopenia → Ganciclovir.
O quadro clínico do recém-nascido, com RCIU, microcefalia, calcificações periventriculares, hepatoesplenomegalia e trombocitopenia, é altamente sugestivo de infecção congênita por Citomegalovírus (CMV). O tratamento antiviral com Ganciclovir é indicado para formas sintomáticas graves, visando reduzir sequelas neurológicas e auditivas.
O Citomegalovírus (CMV) congênito é a infecção congênita viral mais comum, com uma prevalência de 0,2% a 2% dos nascidos vivos. Embora a maioria dos casos seja assintomática ao nascimento, cerca de 10-15% dos recém-nascidos infectados apresentam doença sintomática, que pode variar de leve a grave, com sequelas neurológicas e auditivas significativas. A doença sintomática é mais comum quando a infecção materna primária ocorre no primeiro ou segundo trimestre da gestação. A fisiopatologia envolve a replicação viral em diversos órgãos fetais, levando a danos celulares e inflamação. O diagnóstico é confirmado pela detecção do DNA viral em amostras do recém-nascido nas primeiras três semanas de vida. A suspeita clínica é levantada por achados como RCIU, microcefalia, calcificações intracranianas (principalmente periventriculares), hepatoesplenomegalia, trombocitopenia e perda auditiva. A fundoscopia e a ultrassonografia transfontanelar são exames importantes para avaliar o envolvimento ocular e cerebral. O tratamento com Ganciclovir ou Valganciclovir é indicado para recém-nascidos com doença sintomática, especialmente aqueles com envolvimento do sistema nervoso central ou perda auditiva, visando reduzir a progressão da doença e minimizar sequelas a longo prazo. O tratamento precoce é crucial para otimizar os resultados, e o acompanhamento multidisciplinar é essencial para o manejo das sequelas.
Os sinais incluem RCIU, microcefalia, calcificações intracranianas (especialmente periventriculares), hepatoesplenomegalia, petéquias, icterícia, trombocitopenia e perda auditiva neurossensorial.
O Ganciclovir é um antiviral que inibe a replicação do CMV. É usado para reduzir a progressão da doença e minimizar sequelas neurológicas e auditivas em recém-nascidos com doença sintomática grave, especialmente aqueles com envolvimento do SNC.
Embora muitas infecções congênitas compartilhem sintomas, a combinação de microcefalia com calcificações periventriculares é altamente sugestiva de CMV. O diagnóstico definitivo requer a detecção do vírus em amostras do recém-nascido (urina, saliva, sangue).
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