INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Mulher de 33 anos de idade, desempregada, refere dor à deglutição há 2,5 semanas, com piora acentuada há três dias. Tem tido um pico de febre diária há uma semana, que coincidiu com uma discreta irritação e embaçamento visual no olho esquerdo. Refere ser portadora do vírus HIV há onze anos. Tem histórico de tratamento prévio para pneumonia por Pneumocystis jiroveci. Apresentava placas esbranquiçadas na mucosa jugal, sem outros achados significativos. O hemograma inicial mostrava uma pancitopenia, e a endoscopia digestiva alta mostrou o esôfago com erosões lineares, confluentes, recobertas por fibrina, ocupando toda a circunferência do órgão e gastrite enantematosa. Qual a medicação mais adequada para esta paciente?
HIV + Esofagite (úlceras lineares) + Sintomas visuais → CMV → Ganciclovir.
A presença de úlceras esofágicas lineares e profundas em pacientes com AIDS, associada a sintomas oculares e pancitopenia, é altamente sugestiva de infecção por Citomegalovírus (CMV), exigindo tratamento com Ganciclovir.
O Citomegalovírus (CMV) é uma das principais infecções oportunistas em pacientes com contagem de linfócitos CD4 inferior a 50 células/mm³. A reativação do vírus pode causar doença em diversos órgãos, sendo a retinite a manifestação mais comum, seguida pela esofagite e colite. O diagnóstico definitivo de esofagite por CMV requer biópsia com visualização de inclusões citoplasmáticas ou nucleares em 'olho de coruja'. No entanto, em provas de residência, a associação de úlceras lineares no esôfago com sintomas visuais em um paciente gravemente imunocomprometido direciona fortemente para o início do tratamento com Ganciclovir ou Valganciclovir.
A esofagite por CMV caracteriza-se tipicamente por úlceras grandes, lineares, superficiais ou profundas, localizadas geralmente no esôfago distal. Isso difere da esofagite por Herpes Simples (HSV), que costuma apresentar úlceras menores, múltiplas e 'em vulcão', e da candidíase, que apresenta placas esbranquiçadas aderentes.
O Ganciclovir é um análogo de nucleosídeo que inibe a replicação do DNA viral do CMV. Como a paciente apresenta evidências de doença invasiva por CMV (esofagite confirmada por endoscopia e provável retinite pelo embaçamento visual), o tratamento sistêmico com Ganciclovir é necessário para controlar a infecção e prevenir a cegueira.
O CMV pode causar supressão da medula óssea, contribuindo para a pancitopenia (anemia, leucopenia e trombocitopenia) observada no paciente com AIDS avançada. Além disso, a própria infecção pelo HIV e outras coinfecções podem exacerbar esse quadro hematológico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo