FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020
RN de termo, apresentando perímetro cefálico de 28cm, coriorretinite, hepatoesplenomegalia e calcificações intracerebrais periventriculares finas. Estes achados estão relacionados principalmente a:
RN com microcefalia, coriorretinite, hepatoesplenomegalia e calcificações periventriculares = Citomegalovirose congênita.
A tétrade clássica de microcefalia, coriorretinite, hepatoesplenomegalia e calcificações intracerebrais periventriculares finas é altamente sugestiva de infecção congênita por Citomegalovírus (CMV). Embora outras infecções TORCH possam causar alguns desses achados, a combinação e o padrão das calcificações são distintivos do CMV.
A citomegalovirose congênita (CMVc) é a infecção congênita viral mais comum, afetando cerca de 0,2% a 2% dos nascidos vivos. É uma das infecções do complexo TORCH e pode causar uma ampla gama de manifestações clínicas, desde quadros assintomáticos ao nascimento até doença grave com sequelas neurológicas e sensoriais permanentes. A transmissão ocorre in utero, geralmente por infecção primária materna ou reativação viral durante a gestação. A importância clínica reside na alta morbidade associada, especialmente em casos sintomáticos, tornando seu diagnóstico precoce crucial para intervenções. Os achados clínicos clássicos da CMVc sintomática incluem microcefalia, restrição de crescimento intrauterino, hepatoesplenomegalia, icterícia, petéquias, surdez neurossensorial e coriorretinite. No sistema nervoso central, as calcificações intracerebrais periventriculares finas são um achado radiológico altamente sugestivo, diferenciando-se de outras infecções congênitas. O diagnóstico é confirmado pela detecção do DNA viral em urina ou saliva do recém-nascido nas primeiras 3 semanas de vida. A suspeita deve ser levantada em qualquer RN com achados neurológicos, hepáticos ou hematológicos inexplicados. O tratamento da CMVc sintomática envolve o uso de antivirais como o valganciclovir, que pode melhorar os desfechos auditivos e neurológicos, especialmente se iniciado precocemente. No entanto, o tratamento não reverte danos já estabelecidos. O prognóstico varia amplamente, sendo pior para casos sintomáticos graves. O acompanhamento multidisciplinar é essencial para gerenciar as sequelas, como perda auditiva e atraso no desenvolvimento. Para o residente, é fundamental reconhecer o quadro clínico e os achados de imagem para um diagnóstico e manejo adequados.
A citomegalovirose congênita pode se manifestar com microcefalia, coriorretinite, hepatoesplenomegalia, icterícia, petéquias, surdez neurossensorial e calcificações intracerebrais, especialmente periventriculares. Muitos recém-nascidos são assintomáticos ao nascimento, mas podem desenvolver sequelas tardias.
Na citomegalovirose congênita, as calcificações intracerebrais são tipicamente finas e localizadas predominantemente na região periventricular. Já na toxoplasmose congênita, as calcificações tendem a ser mais grosseiras, difusas e podem ser encontradas em qualquer parte do parênquima cerebral, muitas vezes associadas à hidrocefalia.
Um perímetro cefálico reduzido (microcefalia) em um recém-nascido, especialmente de termo, é um forte indicador de infecção congênita que afetou o desenvolvimento cerebral, como a citomegalovirose congênita ou a zikavirose congênita. A avaliação detalhada por imagem cerebral é crucial para identificar outras anomalias associadas.
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