UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2015
Recém-nascido com restrição de crescimento intrauterino apresenta o seguinte quadro clínico: hepatoesplenomegalia, icterícia, microcefalia e petéquias. Exames complementares revelam plaquetopenia e calcificações cerebrais periventriculares. Trata- se da seguinte infecção congênita:
RCIU + hepatoesplenomegalia + microcefalia + calcificações periventriculares → Citomegalovirose congênita.
A Citomegalovirose congênita é a infecção congênita mais comum e se manifesta com um quadro clínico polissistêmico, incluindo RCIU, hepatoesplenomegalia, icterícia, microcefalia, petéquias e, classicamente, calcificações cerebrais periventriculares, que são patognomônicas.
As infecções congênitas representam um desafio diagnóstico e terapêutico na neonatologia, com o grupo TORCH (Toxoplasmose, Outras - Sífilis, Varicela, HIV, Rubéola, Citomegalovírus, Herpes) sendo o mais relevante. Dentre elas, a Citomegalovirose (CMV) congênita é a infecção viral congênita mais comum, com incidência significativa e potencial para causar sequelas graves. A apresentação clínica da CMV congênita é variada, podendo ser assintomática ao nascimento ou manifestar-se com um quadro grave e multissistêmico. Os sinais clássicos incluem restrição de crescimento intrauterino (RCIU), hepatoesplenomegalia, icterícia, microcefalia, petéquias e, um achado radiológico patognomônico, calcificações cerebrais periventriculares. Outras manifestações podem incluir coriorretinite e perda auditiva neurossensorial. O diagnóstico precoce é fundamental para o manejo adequado, que pode incluir o uso de antivirais em casos sintomáticos, visando reduzir a carga viral e as sequelas a longo prazo. Residentes devem estar atentos a essa condição em recém-nascidos com sinais inespecíficos de infecção ou malformações, diferenciando-a de outras infecções congênitas para garantir o tratamento correto e o acompanhamento multidisciplinar.
A Citomegalovirose congênita pode apresentar RCIU, hepatoesplenomegalia, icterícia, microcefalia, petéquias, plaquetopenia e, um achado clássico, calcificações cerebrais periventriculares.
Embora ambas causem calcificações cerebrais, na CMV são tipicamente periventriculares, enquanto na Toxoplasmose são mais difusas ou parenquimatosas. A Toxoplasmose também pode cursar com hidrocefalia e coriorretinite.
O tratamento para CMV congênita sintomática é feito com antivirais como o Ganciclovir ou Valganciclovir, visando reduzir a replicação viral e minimizar sequelas neurológicas e auditivas, especialmente se iniciado precocemente.
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