Citomegalovirose Congênita: Diagnóstico e Tratamento no RN

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Retorna a maternidade um recém-nascido com 3 dias, conforme sua ficha, ele nasceu com 37 semanas de gestação por parto cesáreo devido à restrição de crescimento intrauterino e centralização fetal, pesando 1.950 gramas, Apgar 8/9 e com bolsa rota no ato. A mãe relata ter 34 anos, que não houve intercorrências na gestação, que as sorologias do pré-natal apresentaram-se não reagentes, que foi feito o teste da orelhinha no recém-nascido e que os olhos e o coração dele se apresentaram sem alterações. Acrescenta que seu filho recebeu alta da maternidade com 24 horas de vida. Ao exame físico, a criança apresenta um peso de 1.850 gramas, estatura de 44 cm, perímetro cefálico de 27 cm e mostra-se ativo, reativo, algo irritado, ictérico, notando-se a presença de petéquias na pele; abdome com fígado palpável a 5 cm e baço a 2 cm do rebordo costal, não havendo alterações no restante do exame. O hemograma apresenta anemia, leucopenia e plaquetopenia; também hiperbilirrubinemia às custas principalmente de elevação de bilirrubinas diretas; transaminases 4 vezes acima dos valores de referência e ultrassom de crânio com leucomalácia periventricular e calcificações periventriculares.Considerando-se esses dados, quais são, respectivamente, a hipótese diagnóstica e o manejo adequado para o caso?

Alternativas

  1. A) Sífilis congênita; uso de penicilina cristalina por 10 dias, avaliação neurológica, oftalmológica e fonoaudiológica.
  2. B) Citomegalovirose; uso de aciclovir por 2 meses, acompanhamento mensal com pediatra na unidade básica de saúde.
  3. C) Sífilis congênita; uso de penicilina procaína por 10 dias, seguimento mensal com pediatria na unidade básica de saúde.
  4. D) Citomegalovirose; uso de ganciclovir por 6 meses, acompanhamento auditivo com fonoaudiólogo e otorrinolaringologista.

Pérola Clínica

RN com RCIU, icterícia, petéquias, hepatoesplenomegalia, citopenias, hiperbilirrubinemia direta, calcificações cerebrais → CMV congênita.

Resumo-Chave

A citomegalovirose congênita grave se manifesta com RCIU, hepatoesplenomegalia, icterícia colestática, petéquias, citopenias e achados neurológicos como calcificações periventriculares e leucomalácia. O tratamento com ganciclovir é indicado para formas sintomáticas.

Contexto Educacional

A citomegalovirose congênita (CMV congênita) é a infecção congênita viral mais comum e uma das principais causas de deficiência neurossensorial em crianças. A transmissão ocorre da mãe para o feto durante a gestação. Embora a maioria dos casos seja assintomática ao nascimento, uma parcela significativa pode apresentar manifestações graves e sequelas a longo prazo. O diagnóstico é suspeitado por achados clínicos como RCIU, icterícia colestática, petéquias, hepatoesplenomegalia, anemia, leucopenia e plaquetopenia. Achados neurológicos como microcefalia, calcificações periventriculares e leucomalácia periventricular na ultrassonografia de crânio são altamente sugestivos. A confirmação diagnóstica é feita pela detecção do DNA do CMV em urina, saliva ou sangue do recém-nascido nas primeiras três semanas de vida. O tratamento com ganciclovir ou valganciclovir é indicado para recém-nascidos com CMV congênita sintomática, especialmente aqueles com envolvimento do sistema nervoso central, para reduzir o risco de sequelas auditivas e neurológicas. O acompanhamento multidisciplinar, incluindo avaliações auditivas, oftalmológicas e neurológicas, é fundamental para monitorar o desenvolvimento e intervir precocemente em caso de sequelas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da citomegalovirose congênita sintomática?

Os achados incluem restrição de crescimento intrauterino, icterícia, petéquias, hepatoesplenomegalia, microcefalia, coriorretinite e alterações neurológicas como calcificações cerebrais.

Por que o ganciclovir é usado no tratamento da CMV congênita?

O ganciclovir é um antiviral que reduz a replicação viral e pode prevenir ou atenuar a progressão de sequelas neurológicas e auditivas em recém-nascidos com CMV congênita sintomática.

Quais são as sequelas mais comuns da citomegalovirose congênita?

As sequelas mais comuns são perda auditiva neurossensorial (a mais frequente), atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, deficiência intelectual, paralisia cerebral e problemas de visão.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo