UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2020
P.M.C, primigesta, com 12 semanas de gestação apresentava susceptibilidade para citomegalovirose em exames laboratoriais de pré-natal. Com 30 semanas, notou-se sorologia positiva para citomegalovírus (IgG e IgM). Evolui para trabalho de parto sem intercorrências, com 40 semanas de idade gestacional. Recém-nascido, assintomático, está em alojamento conjunto com a mãe. Assinale a conduta correta quanto a este bebê.
CMV congênito: RN assintomático com mãe soroconvertida → Investigar ativamente (USG cerebral, PEATE, CMV urina/saliva).
Mesmo recém-nascidos assintomáticos de mães com soroconversão para CMV durante a gestação devem ser investigados ativamente para citomegalovirose congênita, devido ao risco de sequelas tardias, como perda auditiva neurossensorial. A investigação inclui exames de imagem e pesquisa viral.
A citomegalovirose congênita (CMV congênito) é a infecção congênita viral mais comum, com uma prevalência de 0,2% a 2,5% dos nascidos vivos. A transmissão vertical ocorre quando a mãe adquire a infecção primária ou reativa uma infecção latente durante a gestação. Embora a maioria dos recém-nascidos infectados seja assintomática ao nascimento, uma parcela significativa pode desenvolver sequelas a longo prazo, sendo a perda auditiva neurossensorial a mais comum. A soroconversão materna durante a gestação, especialmente no primeiro e segundo trimestres, aumenta o risco de transmissão e de doença mais grave no feto. No caso de um recém-nascido de mãe com soroconversão confirmada, mesmo que assintomático, a investigação ativa é imperativa. Isso inclui a pesquisa do vírus na urina ou saliva do bebê nas primeiras três semanas de vida, além de exames para avaliar possíveis danos, como ultrassonografia transfontanelar de cérebro para detectar calcificações ou outras alterações, e o potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE) para rastrear perda auditiva. O tratamento com ganciclovir ou valganciclovir é reservado para recém-nascidos sintomáticos ou com evidência de doença neurológica ou auditiva, visando reduzir a progressão das sequelas. Para residentes, é fundamental compreender que a ausência de sintomas ao nascimento não exclui a necessidade de investigação e acompanhamento rigoroso, dada a morbidade potencial da citomegalovirose congênita.
A suspeita ocorre quando a mãe apresenta soroconversão para CMV durante a gestação, especialmente no primeiro ou segundo trimestre. Mesmo recém-nascidos assintomáticos ao nascimento devem ser investigados devido ao risco de sequelas tardias.
A investigação inclui pesquisa de CMV na urina e/ou saliva (PCR ou cultura) nas primeiras 3 semanas de vida, ultrassonografia transfontanelar de cérebro para avaliar calcificações ou outras anomalias, e potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE) para detectar perda auditiva neurossensorial.
A investigação precoce é crucial para identificar casos de CMV congênito que podem desenvolver sequelas tardias, como perda auditiva neurossensorial, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e problemas visuais. O diagnóstico precoce permite intervenções e acompanhamento adequados.
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