Citomegalovirose Congênita: Diagnóstico em Recém-Nascidos

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2022

Enunciado

Recém-nascido, sexo masculino, 48 horas de vida, está na unidade de cuidados intermediários neonatais, investigando quadro de sonolência e hipoatividade. Trata-se de criança nascida de termo, idade gestacional de 39 semanas, com peso de nascimento 2650 g, sendo classificado como pequeno para a idade gestacional proporcionado. Mãe de 27 anos, hígida, nega tabagismo, sem intercorrências no pré-natal. Tem as sorologias do terceiro semestre de gestação: HIV: negativo; VDRL: negativo; Hepatite C: negativo; Hepatite B: anti-HBs positivo, anti-HBc negativo, HBs Ag negativo; rubéola: IgM negativo, IgG positivo; toxoplasmose: IgM negativo, IgG negativo. A criança realizou o teste do coraçãozinho, com saturação de 98% no membro superior direito e 97% no membro inferior direito e realizou o teste da orelhinha, que falhou bilateralmente. Realizada ultrassonografia transfontanela, com presença de calcificações periventriculares. O diagnóstico mais provável para os achados patológicos deste paciente é:

Alternativas

  1. A) Síndrome alcoólica fetal.
  2. B) Toxoplasmose congênita.
  3. C) Deficiência de biotinidade.
  4. D) Rubéola congênita.
  5. E) Citomegalovirose congênita.

Pérola Clínica

RN com PIG, calcificações periventriculares e falha no teste da orelhinha → suspeitar de Citomegalovirose congênita.

Resumo-Chave

A Citomegalovirose congênita é a infecção congênita mais comum e uma das principais causas de sequelas neurológicas e sensoriais. A tríade de calcificações periventriculares, falha no teste da orelhinha e restrição de crescimento intrauterino (PIG) é altamente sugestiva, mesmo com sorologias maternas negativas para outras TORCH.

Contexto Educacional

A Citomegalovirose congênita (CMVc) é a infecção congênita viral mais comum, afetando cerca de 0,2% a 2% dos nascidos vivos globalmente. É uma das principais causas infecciosas de deficiência neurológica e perda auditiva em crianças. O vírus CMV é ubíquo e a infecção primária materna ou a reativação durante a gestação podem levar à transmissão vertical, com maior risco de sequelas em infecções primárias no primeiro trimestre. O diagnóstico da CMVc é desafiador, pois a maioria dos recém-nascidos é assintomática ao nascimento. No entanto, em casos sintomáticos, como o descrito, a apresentação pode incluir restrição de crescimento intrauterino, microcefalia, hepatoesplenomegalia, icterícia, petéquias e, classicamente, calcificações periventriculares na ultrassonografia cerebral. A perda auditiva neurossensorial, detectada pela falha no teste da orelhinha, é uma sequela comum e pode ser a única manifestação, inclusive de forma tardia ou progressiva. A confirmação diagnóstica é feita pela detecção do DNA viral (PCR) em urina, saliva ou sangue do recém-nascido nas primeiras 3 semanas de vida. O tratamento com ganciclovir ou valganciclovir é indicado para recém-nascidos sintomáticos com envolvimento do SNC ou perda auditiva, visando reduzir a progressão da perda auditiva e melhorar os desfechos neurológicos. O acompanhamento multidisciplinar é essencial para monitorar e intervir nas sequelas.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clínicos e de imagem mais sugestivos de Citomegalovirose congênita em um recém-nascido?

Os achados mais sugestivos incluem restrição de crescimento intrauterino (PIG), microcefalia, icterícia, hepatoesplenomegalia, petéquias, e, na ultrassonografia transfontanela, calcificações periventriculares. A falha no teste da orelhinha bilateralmente também é um forte indicador de perda auditiva neurossensorial.

Como a Citomegalovirose congênita se diferencia de outras infecções TORCH?

Embora algumas características se sobreponham, as calcificações periventriculares são mais típicas de CMV, enquanto as calcificações difusas ou intraparenquimatosas são mais comuns na toxoplasmose. A rubéola congênita classicamente causa catarata, cardiopatia e surdez, e a sífilis congênita tem manifestações mucocutâneas e ósseas específicas.

Qual a importância do teste da orelhinha no diagnóstico de infecções congênitas?

A falha no teste da orelhinha (triagem auditiva neonatal) é um achado crucial, pois a perda auditiva neurossensorial é uma sequela comum e muitas vezes a única manifestação da Citomegalovirose congênita, podendo ser progressiva e tardia. Sua detecção precoce permite intervenção para minimizar o impacto no desenvolvimento da linguagem.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo