USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Paciente, 30 anos, homem transgênero com preservação da vagina. Vida sexual com penetração vaginal, contracepção com DIU de cobre, sem uso de preservativo. Faz uso de terapia hormonal androgênica. Realiza coleta de citologia oncótica. Qual a implicação do ambiente androgênico na avaliação dos achados citológicos?
Terapia androgênica → atrofia vaginal/cervical → ↑ células basais na citologia → ↓ acurácia diagnóstica.
A terapia hormonal androgênica em homens transgênero com vagina preservada causa atrofia do epitélio vaginal e cervical. Isso leva a uma predominância de células basais e parabasais na citologia oncótica, dificultando a interpretação e diminuindo a acurácia diagnóstica para lesões pré-malignas e malignas.
A saúde de homens transgênero com órgãos reprodutivos femininos preservados requer uma abordagem sensível e informada, especialmente no que diz respeito ao rastreamento de câncer cervical. A terapia hormonal androgênica, embora essencial para a afirmação de gênero, tem implicações significativas na fisiologia do trato genital inferior, incluindo a vagina e o colo do útero. O ambiente androgênico induz a atrofia do epitélio vaginal e cervical. Essa atrofia se manifesta citologicamente por uma diminuição na proporção de células superficiais e intermediárias, com um aumento na representação de células basais e parabasais. Essas alterações podem dificultar a interpretação da citologia oncótica (Papanicolaou), pois as células atróficas podem apresentar características que mimetizam atipias, ou, inversamente, mascarar a presença de lesões pré-malignas ou malignas. Consequentemente, a acurácia diagnóstica da citologia pode ser comprometida, levando a uma maior taxa de resultados falso-negativos ou indeterminados. É crucial que os profissionais de saúde estejam cientes dessas particularidades ao realizar o rastreamento em homens transgênero, considerando a possibilidade de necessidade de métodos diagnósticos complementares, como o teste de HPV, e uma avaliação clínica mais aprofundada em casos de resultados inconclusivos ou suspeitos.
A terapia androgênica leva à atrofia do epitélio vaginal e cervical, resultando em diminuição da espessura da mucosa, ressecamento e redução da vascularização. Citologicamente, isso se manifesta por uma predominância de células basais e parabasais, com poucas células intermediárias e superficiais.
A atrofia epitelial induzida por androgênios dificulta a identificação de células anormais e pode mimetizar alterações displásicas, levando a resultados falso-negativos ou indeterminados. A menor representação de células superficiais e intermediárias, onde as lesões geralmente se manifestam, também contribui para a menor acurácia.
Homens transgênero com vagina e colo do útero preservados devem seguir as mesmas diretrizes de rastreamento de câncer cervical que mulheres cisgênero, independentemente do uso de terapia hormonal. No entanto, o profissional deve estar ciente das limitações da citologia devido à atrofia e considerar métodos complementares, como o teste de HPV.
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