CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2020
Correlacione o exame da superfície ocular com o achado citológico da doença correspondente
Citologia: Eosinófilos = Alergia; Neutrófilos = Bactéria; Linfócitos = Vírus; Inclusões = Tracoma.
A citologia da superfície ocular correlaciona tipos celulares específicos a etiologias: eosinófilos indicam alergia, neutrófilos sugerem infecção bacteriana e corpos de inclusão são patognomônicos de Tracoma.
A citologia ocular é uma ferramenta diagnóstica valiosa que preenche a lacuna entre o exame clínico na lâmpada de fenda e a biópsia tecidual. No contexto de residência médica, a correlação clássica é fundamental: 1. Conjuntivite Alérgica → Eosinófilos; 2. Conjuntivite Bacteriana → Neutrófilos; 3. Conjuntivite Viral → Linfócitos; 4. Tracoma → Corpos de inclusão citoplasmáticos. Embora a clínica muitas vezes seja soberana, casos crônicos ou resistentes ao tratamento inicial beneficiam-se da análise citológica para guiar a terapia específica, especialmente na distinção entre quadros alérgicos graves e ceratoconjuntivites infecciosas.
A citologia de impressão é um método minimamente invasivo utilizado para coletar camadas superficiais de células do epitélio conjuntival e corneano. É particularmente útil no diagnóstico de doenças da superfície ocular, como olho seco grave, metaplasia escamosa, deficiência de células-tronco limbares e neoplasias intraepiteliais. Além disso, auxilia na identificação de processos inflamatórios e infecciosos específicos através da análise do infiltrado celular (eosinófilos, neutrófilos, linfócitos) e de alterações morfológicas celulares, como a perda de células caliciformes (goblet cells).
Os corpos de Halberstaedter-Prowazek são inclusões citoplasmáticas basofílicas encontradas em células epiteliais conjuntivais, características da infecção pela Chlamydia trachomatis, o agente etiológico do Tracoma. Essas inclusões representam colônias do microrganismo em diferentes estágios de replicação (corpos elementares e reticulares). Sua identificação na citologia ou no raspado conjuntival é um achado clássico para o diagnóstico de tracoma e conjuntivite de inclusão do adulto, embora métodos de biologia molecular (como o PCR) sejam atualmente mais sensíveis.
A diferenciação citológica baseia-se no tipo predominante de leucócitos. Na conjuntivite alérgica, a presença de eosinófilos (mesmo em pequeno número) ou grânulos eosinofílicos livres é altamente sugestiva, pois essas células não são encontradas na conjuntiva normal. Já na conjuntivite bacteriana aguda, observa-se um intenso infiltrado de polimorfonucleares neutrófilos, muitas vezes acompanhado de bactérias intracelulares ou extracelulares e debris celulares. Nas conjuntivites virais, o infiltrado é predominantemente linfocitário, podendo apresentar células epiteliais com degeneração balonizante.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo