UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Homem de 65 anos queixa-se de hematúria macroscópica indolor. AP: tabagista. Urotomografia: sem alterações. O próximo exame a ser realizado é:
Hematúria macroscópica indolor em idoso tabagista + Uro-TC normal → Cistoscopia obrigatória.
A cistoscopia é essencial para avaliar a mucosa vesical, que pode apresentar lesões não visualizadas em exames de imagem como a TC.
A hematúria macroscópica indolor é considerada sinal de neoplasia urotelial até que se prove o contrário, especialmente em homens idosos e tabagistas. O câncer de bexiga é a neoplasia maligna mais comum do trato urinário, sendo o carcinoma de células transicionais o tipo histológico predominante. A propedêutica diagnóstica deve ser completa, abrangendo tanto o trato urinário superior quanto o inferior. Enquanto a Urotomografia com protocolo para hematúria (fases sem contraste, arterial, nefrográfica e excretora) avalia rins e ureteres, a cistoscopia é mandatória para a avaliação vesical. A citologia urinária pode ser um adjunto útil, especialmente para detectar tumores de alto grau ou carcinoma in situ, mas não substitui a visualização direta.
A Urotomografia é excelente para avaliar o parênquima renal e o trato urinário superior (ureteres), mas possui sensibilidade limitada para detectar tumores vesicais pequenos ou planos (como o carcinoma in situ). A cistoscopia permite a visualização direta da mucosa da bexiga e da uretra, sendo o padrão-ouro para o diagnóstico de neoplasias vesicais, especialmente em pacientes com fatores de risco como idade avançada e tabagismo.
O tabagismo é o principal fator de risco, aumentando a incidência em 2 a 4 vezes. Outros fatores incluem exposição ocupacional a aminas aromáticas (indústrias de corantes, borracha, couro), uso de ciclofosfamida, irradiação pélvica prévia e inflamação crônica da bexiga (ex: esquistossomose ou uso prolongado de cateteres).
A hematúria microscópica (definida como ≥ 3 hemácias por campo de grande aumento) também requer investigação em pacientes de risco. O protocolo geralmente envolve a exclusão de causas benignas (infecção, exercício, trauma), seguida de avaliação do trato superior por imagem (Uro-TC ou ultrassom) e, dependendo da estratificação de risco do paciente, a realização de cistoscopia.
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