FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024
L.A.S. sexo feminino, 42 anos, apresenta dor abdome superior, principalmente em hipocôndrio esquerdo, há cerca de seis meses, contínua, irradiada para o dorso, sem vômitos, que melhora com hioscina + dipirona e piora com alimentos gordurosos. Procurou serviço de pronto atendimento diversas vezes, sendo medicada e liberada. Refere perda de 18 kg nos últimos dois meses. Tabagista. Ex-etilista social (sic), histerectomia. US abdome total: microcálculos vesiculares, formação cística em cauda pancreática de 5.0x 4,0 cm. Fez punção do cisto com ecoendoscopia e o CEA era de 300 ng/ml e a glicose era 35 mg/dl. Qual sua principal hipótese diagnostica:
Cisto pancreático em mulher, dor, perda peso, CEA↑, glicose↓ no líquido cístico → Cistoadenoma Mucinoso.
Uma mulher de meia-idade com dor abdominal, perda de peso, e uma lesão cística em cauda pancreática, com líquido de punção mostrando CEA elevado e glicose baixa, é altamente sugestivo de cistoadenoma mucinoso. Este tipo de cisto tem potencial maligno e requer acompanhamento ou ressecção.
Os cistos pancreáticos são achados cada vez mais comuns devido ao aumento do uso de exames de imagem. O desafio diagnóstico reside em diferenciar lesões benignas de neoplasias com potencial maligno, como o cistoadenoma mucinoso. Este último é uma neoplasia cística que ocorre predominantemente em mulheres de meia-idade, geralmente na cauda do pâncreas, e é crucial para o residente reconhecer seus sinais e implicações. A fisiopatologia envolve a proliferação de células epiteliais produtoras de mucina, com potencial para displasia e transformação maligna. O diagnóstico é guiado pela clínica (dor abdominal, perda de peso), exames de imagem (US, TC, RM, ecoendoscopia) e, fundamentalmente, pela análise do líquido de punção do cisto. Achados como CEA elevado e glicose baixa no líquido cístico são marcadores importantes de mucinosidade e potencial maligno. O manejo do cistoadenoma mucinoso é predominantemente cirúrgico devido ao seu potencial de malignização. A ressecção é indicada para a maioria dos pacientes aptos à cirurgia, especialmente aqueles com características de alto risco. O prognóstico é bom quando a lesão é ressecada antes da transformação maligna, enfatizando a importância do diagnóstico precoce e da estratificação de risco.
O cistoadenoma mucinoso é uma neoplasia cística com potencial maligno, mais comum em mulheres, geralmente na cauda do pâncreas, e o líquido cístico tem CEA elevado e glicose baixa. O pseudocisto é uma coleção de fluido inflamatório, geralmente após pancreatite, sem potencial maligno, e o líquido cístico tem amilase elevada e CEA baixo.
O CEA (Antígeno Carcinoembrionário) elevado no líquido cístico (>192 ng/ml) é um forte indicador de cisto mucinoso (cistoadenoma mucinoso ou IPMN mucinoso), que possui potencial maligno. A glicose baixa (<50 mg/dl) também sugere uma lesão mucinosa ou maligna, enquanto glicose alta é mais comum em pseudocistos.
Devido ao potencial maligno, o cistoadenoma mucinoso geralmente requer ressecção cirúrgica, especialmente se houver características de alto risco (nódulos murais, ducto pancreático dilatado, tamanho >3 cm). Em pacientes com alto risco cirúrgico, pode-se optar por vigilância ativa com exames de imagem seriados.
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