UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2020
Mulher, 64 anos, sem cirurgia prévia. Exame físico: grande massa ocupando a pelve. Tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM) evidenciaram lesão predominantemente cística com áreas sólidas que se impregnaram pelo meio de contraste e miomas no útero. A HIPOTESE DIAGNÓSTICA MAIS provável é:
Mulher >60a com massa pélvica cística/sólida e captação de contraste → Alta suspeita de cistoadenocarcinoma de ovário.
Em mulheres pós-menopausa, uma massa pélvica complexa (cística com componentes sólidos e captação de contraste) é altamente sugestiva de malignidade, sendo o cistoadenocarcinoma de ovário a hipótese mais provável. A presença de miomas uterinos é um achado comum e não exclui a malignidade ovariana.
O cistoadenocarcinoma de ovário é o tipo mais comum de câncer epitelial de ovário, sendo uma das neoplasias ginecológicas mais letais devido ao diagnóstico tardio. É mais frequente em mulheres na pós-menopausa, com a idade sendo um fator de risco significativo. A apresentação clínica é muitas vezes inespecífica, com sintomas como dor pélvica, distensão abdominal e saciedade precoce, que surgem quando a doença já está avançada. A fisiopatologia envolve a transformação maligna das células epiteliais da superfície ovariana. O diagnóstico é frequentemente guiado por exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM). Uma massa pélvica predominantemente cística com áreas sólidas que se impregnam pelo meio de contraste, como descrito na questão, é um achado altamente suspeito de malignidade. A presença de miomas uterinos é um achado incidental comum e não exclui a coexistência de câncer de ovário. O tratamento primário para o cistoadenocarcinoma de ovário é cirúrgico, com o objetivo de citorredução máxima, seguido por quimioterapia adjuvante. O prognóstico está diretamente relacionado ao estágio da doença no momento do diagnóstico. A avaliação pré-operatória cuidadosa com exames de imagem e marcadores tumorais (como CA-125) é crucial para o planejamento cirúrgico e para a estratificação de risco.
Características que sugerem malignidade incluem componentes sólidos, septações espessas (>3mm), vegetações internas, captação de contraste, ascite, e sinais de invasão de estruturas adjacentes ou linfonodomegalia. O tamanho da massa também é relevante.
O CA-125 é o marcador mais utilizado, mas sua elevação não é exclusiva do câncer de ovário, podendo ocorrer em condições benignas. Em mulheres pós-menopausa, um CA-125 elevado associado a uma massa complexa aumenta a probabilidade de malignidade. Outros marcadores podem ser usados em subtipos específicos.
Os principais tipos histológicos incluem o seroso (o mais comum e agressivo), mucinoso, endometrioide, de células claras e de Brenner maligno. Cada tipo possui características morfológicas e prognósticas distintas.
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