SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Um paciente de 21 anos de idade compareceu ao atendimento com dor intensa em região sacrococcígea, febre baixa e tumoração flutuante local. O exame mostrou FC = 96 bpm, FR = 18 irpm e saturação = 99%. Diagnóstico: cisto pilonidal com abscesso agudo. Qual é a melhor conduta no caso clínico apresentado?
Abscesso pilonidal agudo → Incisão e drenagem simples para alívio imediato.
Na fase aguda de um cisto pilonidal com abscesso, a conduta prioritária é a drenagem para controle da sepse local e alívio da dor, postergando a ressecção definitiva.
O cisto pilonidal é uma condição crônica da região sacrococcígea, frequentemente associada à penetração de pelos no tecido subcutâneo, gerando uma reação granulomatosa. Quando ocorre a obstrução dos orifícios (pits) e infecção secundária, forma-se o abscesso agudo, caracterizado por dor intensa, calor, rubor e flutuação. O manejo clínico divide-se em fase aguda e fase crônica. Na fase aguda, o objetivo é o controle infeccioso. A literatura médica é consensual em indicar a incisão e drenagem como padrão-ouro. Estudos mostram que a drenagem simples resulta em alívio imediato dos sintomas e tem uma taxa de cura definitiva em cerca de 40% dos casos, enquanto os demais podem evoluir para cronicidade, exigindo técnicas como a de Bascom ou Limberg em um segundo tempo cirúrgico.
A realização de uma ressecção ampla ou definitiva durante a fase aguda de um abscesso pilonidal é contraindicada devido ao intenso processo inflamatório e infeccioso local. Nestas condições, os planos teciduais estão distorcidos, o que dificulta a delimitação precisa da lesão e aumenta o risco de remoção desnecessária de tecido saudável ou, inversamente, de deixar restos epiteliais. Além disso, o fechamento primário em campo infectado apresenta altíssimas taxas de deiscência de sutura e recidiva. A drenagem simples resolve a urgência, permitindo que a inflamação regrida para que uma cirurgia eletiva seja planejada com maior segurança e menores taxas de complicação.
A técnica recomendada envolve uma incisão longitudinal simples sobre a área de maior flutuação da tumoração. Após a incisão, deve-se proceder à evacuação do pus e à curetagem suave da cavidade para remover debris e ninhos de pelos, que são frequentemente a causa da obstrução e infecção. É fundamental realizar a lavagem exaustiva com soro fisiológico. Em alguns casos, pode-se utilizar um dreno de Penrose ou deixar a ferida aberta para cicatrização por segunda intenção, garantindo que não ocorra o fechamento precoce da pele antes da obliteração do espaço morto profundo.
A drenagem cirúrgica é o tratamento definitivo para o abscesso. A antibioticoterapia não deve ser utilizada como tratamento isolado (exclusivo). O uso de antibióticos sistêmicos após a drenagem é reservado para pacientes que apresentam sinais de celulite extensa além da área do abscesso, sinais de resposta inflamatória sistêmica (como febre alta persistente ou taquicardia importante) ou em pacientes imunocomprometidos e diabéticos descompensados. Na maioria dos casos saudáveis, a drenagem adequada dispensa o uso de antibióticos.
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