MedEvo Simulado — Prova 2026
Beatriz, 24 anos, nuligesta, comparece à consulta ginecológica para revisão anual. Ela é assintomática, nega dor pélvica, dispareunia ou alterações no ciclo menstrual. Faz uso regular de anticoncepcional oral combinado há dois anos. Durante a avaliação de rotina, apresenta uma ultrassonografia transvaginal realizada há uma semana que descreve: útero em anteversoflexão de volume normal, com eco endometrial fino e homogêneo; ovário esquerdo de aspecto preservado; ovário direito apresentando imagem anecoica, unilocular, de paredes finas e lisas, sem septos ou componentes sólidos internos, medindo 3,2 cm em seu maior diâmetro. O Doppler colorido não evidenciou fluxo no interior da lesão. Diante desse quadro clínico e ultrassonográfico, a conduta mais adequada é:
Cisto unilocular, anecoico e < 5cm em pré-menopausa → Conduta expectante (provável funcional).
Cistos simples em mulheres jovens são majoritariamente funcionais. Lesões menores que 5cm, sem septos ou fluxo ao Doppler, dispensam marcadores tumorais e intervenção imediata.
Cistos ovarianos simples são achados extremamente comuns na rotina ginecológica, especialmente em mulheres em idade fértil. A maioria é de natureza funcional (folicular ou lúteo) e regride espontaneamente em 1-2 ciclos menstruais. O uso de anticoncepcionais orais combinados pode reduzir a incidência de novos cistos, mas não acelera a resolução de lesões já existentes. A classificação de IOTA (International Ovarian Tumor Analysis) e as regras simples auxiliam na distinção entre lesões benignas e malignas, focando em características morfológicas. Em pacientes assintomáticas com lesões puramente císticas, a conduta conservadora é a regra, evitando-se punções aspirativas que apresentam alto índice de recidiva e risco de disseminação em caso de malignidade oculta.
Sinais de alerta na ultrassonografia incluem componentes sólidos internos, septos espessos, fluxo central ao Doppler colorido, ascite associada e diâmetro superior a 10 cm. Em pacientes na pré-menopausa, cistos simples e uniloculares menores que 5 cm têm baixíssimo risco de malignidade e geralmente representam folículos persistentes ou cistos de corpo lúteo.
O marcador CA-125 possui baixa especificidade em mulheres na pré-menopausa, pois pode elevar-se em diversas condições benignas comuns, como endometriose, miomatose uterina, doença inflamatória pélvica e até durante o ciclo menstrual normal. Sua solicitação indiscriminada em achados ultrassonográficos benignos gera ansiedade desnecessária e intervenções cirúrgicas evitáveis.
De acordo com consensos como o da ACR (SRU), cistos simples em mulheres em idade fértil menores que 5 cm não necessitam de acompanhamento por imagem. Cistos entre 5 e 7 cm devem ser reavaliados anualmente por ultrassonografia. A intervenção cirúrgica ou investigação adicional com RM só é indicada se houver mudança na morfologia ou crescimento rápido.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo