HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2019
Mulher de 29 anos dá entrada ou PS com quadro de dor abdominal difusa, de início súbito com 6 horas de evolução. Historia pregressa de ciclo menstrual irregular e polimenorreia desde adolescência. Ausência de outras comorbidades. Ao exame: hidratada, descorada ++/4+, FC: 120 bpm, PA: 90 / 50 mmHg; abdome: dor a palpação superficial e profunda em abdome inferior mais intensa na fossa ilíaca direita, irritação peritoneal em todo abdome inferior. Exames da admissão: hemoglobina: 9,0, glóbulos brancos: 10.400 sem desvio à esquerda, ureia: 45, creatinina: 1,0, beta HCG: negativo, rotina urina; 6 leucócitos/campo, nitrito negativo. Ultrassom abaixo.A principal hipótese diagnóstica é:
Dor abdominal súbita + sinais de choque/irritação peritoneal + beta HCG negativo → suspeitar de cisto ovariano roto com hemoperitônio.
A paciente apresenta um quadro de dor abdominal aguda súbita, sinais de hipovolemia (taquicardia, hipotensão, descorada) e irritação peritoneal, com beta HCG negativo. Isso sugere um evento hemorrágico intra-abdominal não relacionado à gestação, sendo a ruptura de cisto ovariano com hemoperitônio a hipótese mais provável.
A dor abdominal aguda em mulheres em idade reprodutiva é uma queixa comum no pronto-socorro, exigindo uma abordagem diagnóstica rápida e precisa devido à ampla gama de possíveis etiologias, algumas das quais potencialmente fatais. O cisto ovariano roto, especialmente quando complicado por hemoperitônio, é uma causa importante de dor abdominal aguda e choque hipovolêmico, sendo crucial para residentes reconhecerem seus sinais e sintomas. A ruptura de um cisto ovariano, frequentemente um cisto folicular ou de corpo lúteo, pode levar ao extravasamento de líquido e/ou sangue para a cavidade peritoneal, causando dor e irritação. Em casos de sangramento significativo, a paciente pode desenvolver sinais de choque hipovolêmico, como taquicardia, hipotensão e anemia. O diagnóstico diferencial inclui gravidez ectópica rota, apendicite aguda, doença inflamatória pélvica e torção ovariana. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica da paciente, com reposição volêmica agressiva. O diagnóstico é confirmado pela ultrassonografia pélvica, que demonstra o cisto e líquido livre. O tratamento pode ser conservador em casos estáveis, mas a cirurgia (laparoscopia ou laparotomia) é indicada para pacientes instáveis, com sangramento ativo ou hemoperitônio volumoso.
Os sintomas incluem dor abdominal súbita e intensa, geralmente unilateral, que pode se generalizar. Sinais de hemoperitônio podem levar a irritação peritoneal, taquicardia, hipotensão, palidez e, em casos graves, choque hipovolêmico.
O beta HCG é crucial para excluir gravidez ectópica, que é uma causa importante de dor abdominal aguda e hemorragia intra-abdominal em mulheres em idade fértil. Um beta HCG negativo direciona para outras causas não gestacionais.
A ultrassonografia pélvica (transvaginal e/ou abdominal) é o exame de imagem de escolha. Ela pode identificar o cisto ovariano, líquido livre na pelve (sugerindo sangramento) e avaliar a vascularização ovariana.
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