Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2022
M.M.R., 50 anos, em amenorreia há 1 ano, sem relato de perda ou ganho de peso, com queixa de discretas dores aos esforços físicos em fossa ilíaca esquerda, apresenta em exames de imagem cisto em topografia de ovário esquerdo, medindo 10 cm em seu maior diâmetro, superfície internalisa, com septação fina, conteúdo anecogênico, pequena quantidade de líquido livre em fundo de saco posterior. Marcadores tumorais negativos. Assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica mais provável.
Cisto ovariano em pós-menopausa com características benignas e marcadores negativos → neoplasia benigna.
Em mulheres pós-menopausa, a presença de um cisto ovariano de grande diâmetro (10 cm), com septação fina, conteúdo anecogênico e marcadores tumorais negativos, sugere fortemente uma etiologia benigna. A pequena quantidade de líquido livre pode ser reacional e não indica malignidade por si só.
A avaliação de massas anexiais em mulheres pós-menopausa é um desafio clínico importante, dada a maior incidência de malignidade nessa faixa etária. No entanto, é crucial diferenciar entre lesões benignas e malignas para evitar intervenções desnecessárias ou tardias. A epidemiologia mostra que a maioria das massas anexiais, mesmo em pós-menopausa, ainda é benigna, mas a suspeita de malignidade aumenta com a idade. O diagnóstico baseia-se em uma combinação de fatores, incluindo a história clínica, exame físico e, principalmente, exames de imagem como a ultrassonografia transvaginal. Características ultrassonográficas como conteúdo anecogênico, septos finos e ausência de componentes sólidos ou papilares são fortes indicadores de benignidade. Marcadores tumorais, como o CA-125, são complementares; níveis normais em conjunto com achados ultrassonográficos benignos reforçam a hipótese de lesão não maligna. O manejo de cistos ovarianos benignos em pós-menopausa pode variar desde o acompanhamento expectante até a intervenção cirúrgica, dependendo do tamanho, sintomas e risco de malignidade. Cistos grandes, mesmo benignos, podem causar sintomas compressivos. A decisão deve ser individualizada, considerando o perfil de risco da paciente e a expertise do centro.
Características como conteúdo anecogênico, septos finos (<3mm), ausência de componentes sólidos ou papilares, e fluxo Doppler baixo ou ausente são indicativos de benignidade.
Marcadores tumorais são úteis, mas não diagnósticos isoladamente. Níveis normais, especialmente em cistos com características benignas, reforçam a hipótese de benignidade, mas podem estar elevados em condições não malignas.
Cistos com componentes sólidos, vegetações, septos espessos, ascite volumosa, ou marcadores tumorais elevados (especialmente CA-125) são mais suspeitos e requerem investigação aprofundada.
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