Cisto Ovariano Benigno: Manejo em Mulheres Jovens

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 28a, procurou o Pronto Atendimento com queixa de dor pélvica de moderada intensidade há dois dias. Nega leucorreia, febre ou disúria. Refere ciclos menstruais regulares, com última menstruação há 14 dias. Método contraceptivo=condom. Exame físico: dor à palpação profunda de hipogastro, sem outras alterações. Beta-HCG=negativo. Ultrassonografia pélvica: cisto ovariano à esquerda medindo 6cm, multiloculado, com paredes lisas, sem projeções ou fluxo ao doppler (IC=1) IOTA-B. Paciente apresentou melhora do quadro após analgesia. A CONDUTA EM RELAÇÃO AO CISTO OVARIANO É:

Alternativas

Pérola Clínica

Cisto ovariano <7cm, benigno USG (IOTA-B, IC=1) em jovem, assintomático/dor leve → acompanhamento clínico/USG em 6-12 semanas.

Resumo-Chave

Em mulheres jovens com cistos ovarianos que apresentam características ultrassonográficas benignas (como paredes lisas, ausência de projeções ou fluxo ao Doppler, e baixo índice de risco de malignidade como IOTA-B ou IC=1), a conduta inicial é geralmente conservadora. A maioria desses cistos é funcional e regride espontaneamente, justificando o acompanhamento clínico e ultrassonográfico.

Contexto Educacional

Cistos ovarianos são achados comuns em mulheres em idade reprodutiva, sendo a maioria de natureza funcional e benigna. A avaliação de um cisto ovariano deve sempre considerar a idade da paciente, os sintomas apresentados e, crucialmente, as características ultrassonográficas para estratificar o risco de malignidade. Ferramentas como as regras IOTA (International Ovarian Tumor Analysis) e o Índice de Risco de Câncer Ovariano (IC) são valiosas para essa avaliação. Cistos com características ultrassonográficas benignas, como paredes lisas, ausência de projeções papilares, septos finos e ausência de fluxo vascular ao Doppler (IC=1, IOTA-B rules), em mulheres jovens e sem outros fatores de risco para câncer de ovário, geralmente indicam um cisto funcional. Mesmo cistos multiloculados podem ser benignos se as outras características forem favoráveis. A dor pélvica no meio do ciclo pode ser associada à ovulação (Mittelschmerz) ou ao próprio cisto, mas se for de intensidade moderada e responsiva à analgesia, não sugere uma emergência. A conduta para esses cistos é predominantemente conservadora. A maioria dos cistos funcionais regride espontaneamente em um a três ciclos menstruais. Portanto, o acompanhamento clínico e ultrassonográfico em 6 a 12 semanas é a abordagem mais apropriada. A intervenção cirúrgica é reservada para cistos persistentes, sintomáticos que não respondem ao manejo conservador, ou que apresentam características suspeitas de malignidade.

Perguntas Frequentes

Quais características ultrassonográficas sugerem a benignidade de um cisto ovariano?

Cistos ovarianos com características benignas na ultrassonografia incluem paredes lisas, ausência de septos espessos ou projeções papilares, ausência de fluxo vascular ao Doppler (IC=1), e achados compatíveis com as regras B do IOTA (International Ovarian Tumor Analysis).

Qual a conduta inicial para um cisto ovariano benigno em mulher jovem?

Para cistos ovarianos com características benignas em mulheres jovens, especialmente se menores que 7-10 cm e com sintomas leves ou ausentes, a conduta inicial é o acompanhamento clínico e ultrassonográfico em 6 a 12 semanas, pois a maioria é funcional e regride espontaneamente.

Quando um cisto ovariano requer intervenção cirúrgica?

A intervenção cirúrgica é considerada para cistos que persistem após o acompanhamento, que apresentam características suspeitas de malignidade na ultrassonografia (alto IC, regras M do IOTA), que são sintomáticos e não respondem à analgesia, ou que causam complicações como torção ou ruptura com hemorragia significativa.

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