INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Uma mulher com 25 anos de idade vai ao ambulatório de ginecologia com queixa de dor pélvica há 24 horas. Possui ciclos regulares de 28 dias (3 a 4 dias) e a sua última menstruação ocorreu há 3 semanas. No exame clínico, observou-se PA = 110 x 70 mmHg e pulso = 84 bpm. Notou-se dor à palpação profunda em fossa ilíaca esquerda e em região hipogástrica, Blumberg negativo. Sem outras anormalidades durante o exame físico. Foi realizada ultrassonografia transvaginal que revelou estrutura cística no ovário esquerdo, medindo 7,0 x 6,5 cm, sem fluxo ao estudo Doppler, conforme indica imagem a seguir. Considerando o caso clínico apresentado e a hipótese diagnóstica mais provável, qual deve ser a conduta médica?
Cisto ovariano < 8-10 cm em mulher jovem, sem sinais de malignidade/complicação → reavaliar após 1-3 ciclos menstruais.
Em mulheres jovens com cistos ovarianos de características benignas (anecóicos, sem septos, sem fluxo ao Doppler) e sem sinais de complicação aguda (torção, ruptura com sangramento), a conduta inicial é expectante. A maioria desses cistos é funcional e regride espontaneamente após um ou dois ciclos menstruais.
Cistos ovarianos são achados comuns em mulheres em idade reprodutiva, e a maioria deles é de natureza funcional ou fisiológica. Eles surgem como parte do ciclo menstrual normal e geralmente regridem espontaneamente em um a três ciclos. Os tipos mais comuns incluem cistos foliculares (resultantes da falha na ovulação do folículo dominante) e cistos de corpo lúteo (formados quando o corpo lúteo não regride). A dor pélvica aguda, como a apresentada no caso, pode ser um sintoma de um cisto ovariano, seja por seu crescimento rápido, ruptura ou torção. A avaliação diagnóstica inicial de um cisto ovariano geralmente envolve a ultrassonografia transvaginal, que permite caracterizar o tamanho, a morfologia e a presença de fluxo vascular. No caso apresentado, a paciente é jovem, hemodinamicamente estável, com dor pélvica e um cisto ovariano esquerdo de 7,0 x 6,5 cm, anecóico e sem fluxo ao Doppler. Essas características são altamente sugestivas de um cisto funcional. A ausência de Blumberg negativo e a estabilidade hemodinâmica afastam complicações agudas graves como peritonite ou hemorragia significativa. A conduta para cistos ovarianos funcionais em mulheres jovens, sem características de malignidade ou complicações agudas, é a observação e a repetição da ultrassonografia após a próxima menstruação (ou em 1-3 meses). A maioria desses cistos regride espontaneamente. A solicitação de ressonância magnética ou marcadores tumorais, ou o encaminhamento para laparoscopia exploradora, seriam condutas excessivas e desnecessárias neste cenário inicial, sendo reservadas para cistos persistentes, com características suspeitas de malignidade, ou que causem sintomas graves e refratários.
Os tipos mais comuns de cistos ovarianos funcionais são o cisto folicular, que resulta da falha na ovulação do folículo dominante, e o cisto de corpo lúteo, que se forma quando o corpo lúteo não regride e continua a crescer, podendo ter sangramento interno.
A intervenção cirúrgica é geralmente reservada para cistos funcionais que persistem por mais de 2-3 ciclos menstruais, que são muito grandes (>8-10 cm), que causam sintomas graves ou que apresentam características suspeitas de malignidade ou complicações agudas como torção ou ruptura com hemorragia significativa.
Cistos ovarianos benignos geralmente são anecóicos (conteúdo líquido homogêneo), uniloculares (sem septos internos), com paredes finas e lisas, e sem fluxo vascular detectável ao estudo Doppler. O tamanho também é um fator, com cistos menores que 8-10 cm sendo mais frequentemente funcionais.
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