Cisto de Naboth e Pólipo Endometrial: Diagnóstico e Conduta

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 35 anos vem a consulta ginecológica de rotina, assintomática; refere atividade sexual regular, em uso de preservativo masculino. Ultrassonografia transvaginal: presença de imagem anecóica, unilocular, medindo cerca de 1,1 cm em topografia de colo uterino; endométrio com imagem hipoecóica, formadora de discreta sombra acústica posterior, medindo 1,2 x 1,0 cm, fluxo presente ao Doppler. Assinale a conduta a ser tomada:

Alternativas

  1. A) Repetir ultrassonografia transvaginal após novo ciclo menstrual.
  2. B) Programar histeroscopia diagnóstica e biópsia do colo uterino.
  3. C) Tranquilizar a paciente quanto à imagem do colo uterino e programar histeroscopia diagnóstica.
  4. D) Biópsia de colo uterino.
  5. E) Realizar colpocitologia oncótica e programar conização de colo uterino.

Pérola Clínica

Cisto de Naboth é benigno (tranquilizar); Pólipo endometrial com fluxo ao Doppler → Histeroscopia diagnóstica para avaliação.

Resumo-Chave

O cisto de Naboth é uma lesão benigna comum do colo uterino que não requer intervenção. Já a imagem hipoecóica no endométrio com fluxo ao Doppler é altamente sugestiva de pólipo endometrial, que, mesmo assintomático, deve ser investigado por histeroscopia para confirmação diagnóstica e eventual remoção, especialmente pelo tamanho e presença de fluxo.

Contexto Educacional

A ultrassonografia transvaginal é uma ferramenta essencial na ginecologia para a avaliação de achados uterinos e anexiais. No caso apresentado, temos dois achados distintos: uma imagem anecóica unilocular no colo uterino e uma imagem hipoecóica no endométrio com fluxo ao Doppler. A imagem anecóica unilocular no colo uterino é altamente sugestiva de um cisto de Naboth. Estes são cistos de retenção benignos, muito comuns, que não requerem qualquer intervenção ou preocupação, sendo suficiente tranquilizar a paciente. Já a imagem hipoecóica no endométrio, especialmente com fluxo ao Doppler, é um achado ultrassonográfico clássico de pólipo endometrial. Pólipos endometriais são crescimentos benignos da mucosa uterina, mas podem estar associados a sangramento uterino anormal, infertilidade e, em uma pequena porcentagem, podem conter atipias ou malignidade. A conduta para o pólipo endometrial, mesmo em paciente assintomática, é a histeroscopia diagnóstica. Este procedimento permite a visualização direta do pólipo, a biópsia para análise histopatológica e, se necessário, a remoção completa (polipectomia histeroscópica). A histeroscopia é superior a outros métodos, como a curetagem às cegas, para a identificação e tratamento de lesões focais endometriais, garantindo um diagnóstico preciso e um manejo adequado.

Perguntas Frequentes

O que é um cisto de Naboth e qual sua relevância clínica?

Um cisto de Naboth é uma lesão benigna comum do colo uterino, resultante da oclusão de ductos de glândulas cervicais. Geralmente é assintomático e não requer tratamento, sendo um achado incidental na ultrassonografia ou exame ginecológico.

Quando um pólipo endometrial assintomático deve ser investigado?

Pólipos endometriais assintomáticos, especialmente se maiores que 1 cm, múltiplos, ou com fluxo ao Doppler, devem ser investigados por histeroscopia diagnóstica com biópsia ou polipectomia. Embora a maioria seja benigna, há um pequeno risco de malignidade ou de causar sintomas futuros como sangramento ou infertilidade.

Qual o papel da histeroscopia no diagnóstico e tratamento de pólipos endometriais?

A histeroscopia é o padrão-ouro para o diagnóstico de pólipos endometriais, permitindo a visualização direta, a biópsia direcionada e a remoção completa do pólipo (polipectomia). É superior à curetagem às cegas para a detecção e tratamento de lesões focais.

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