USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Mulher de 45 anos, natural e procedente de São Paulo – SP, refere leve desconforto abdominal em flanco direito há 1 ano. Realizou ultrassom de abdome total que evidenciou lesão cística ocupando o lobo hepático direito, medindo 16 x 14 cm, com paredes regulares, alguns septos finos e conteúdo homogêneo. Foi solicitada ressonância magnética de abdome superior, a qual é mostrada a seguir: Baseado nas informações clínicas e nas imagens, qual a o diagnóstico mais provável e a conduta recomendada para essa paciente?
Cisto simples → Parede fina, conteúdo anecoico, sem septos grosseiros ou nódulos.
Cistos hepáticos simples são lesões benignas comuns; se assintomáticos ou com sintomas leves e características radiológicas típicas, o seguimento clínico é a conduta de escolha.
Cistos hepáticos simples são malformações congênitas dos ductos biliares que não mantêm comunicação com a árvore biliar. Eles são frequentemente achados incidentais em exames de imagem. Embora possam atingir grandes dimensões (como os 16 cm descritos no caso), a maioria permanece estável ao longo da vida. O diagnóstico diferencial principal inclui a doença policística hepática, o cisto hidático (causado por Echinococcus, comum em áreas endêmicas e com imagens de 'cistos filhotes') e as neoplasias císticas mucinosas. Na ausência de sinais de alarme radiológicos (septos espessos, realce, vegetações) e sintomas debilitantes, a observação clínica com exames de imagem periódicos é a conduta padrão ouro, evitando intervenções cirúrgicas desnecessárias.
No ultrassom, o cisto hepático simples apresenta-se como uma lesão anecoica (preenchida por líquido), com paredes finas e lisas, contornos regulares e reforço acústico posterior. Não deve apresentar septações grosseiras, componentes sólidos ou calcificações na parede.
O tratamento (geralmente fenestração laparoscópica) é reservado para cistos simples que se tornam significativamente sintomáticos (dor intensa, compressão de órgãos adjacentes), que apresentam complicações como ruptura ou hemorragia intracística, ou quando há dúvida diagnóstica com neoplasias císticas.
O cistoadenoma biliar (neoplasia cística mucinosa) geralmente apresenta paredes espessas, septações internas irregulares, realce de contraste nos septos ou nódulos murais na ressonância magnética, ao contrário do cisto simples que possui conteúdo homogêneo e paredes imperceptíveis.
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