Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Mulher de 45 anos, assintomática, previamente hígida, realiza ultrassonografia abdominal como parte de check-up. Não possui comorbidades. Faz uso crônico de etinilestradiol associado a acetato de ciproterona. O exame mostra lesão anecoica, bem delimitada, sem septos, medindo 2,5 cm em segmento V. Sem outras alterações. Assinale a alternativa correta sobre o achado descrito:
Cisto hepático simples (anecoico, sem septos) → Benigno, assintomático, conduta expectante.
Cistos hepáticos simples são achados incidentais comuns. Se anecoicos e sem septos, não requerem intervenção ou suspensão de hormônios, pois não possuem potencial de malignização.
O cisto hepático simples é a lesão hepática benigna mais comum, frequentemente detectada de forma incidental em exames de imagem. Sua prevalência aumenta com a idade e é mais comum em mulheres. Fisiopatologicamente, acredita-se que derivem de ductos biliares aberrantes que perderam comunicação com a árvore biliar. Na prática clínica, o reconhecimento do padrão anecoico puro é fundamental para evitar exames desnecessários ou biópsias de risco. O diagnóstico diferencial inclui o cistadenoma biliar, que apresenta septos e irregularidades, e o adenoma hepático, que é uma lesão sólida e hipervascularizada associada ao uso de ACO.
O cisto hepático simples apresenta-se na ultrassonografia como uma lesão anecoica (preta), com reforço acústico posterior, paredes finas e lisas, e ausência de septações ou componentes sólidos internos. Essas características o definem como uma lesão benigna de conteúdo líquido seroso, diferenciando-o de abscessos, cistos hidáticos ou neoplasias císticas que costumam apresentar debris ou septos espessos.
Diferente do adenoma hepático, o cisto hepático simples não tem sua patogênese ou crescimento diretamente vinculados ao uso de estrogênios ou progestagênios. Portanto, a presença de um cisto simples não é contraindicação ao uso de anticoncepcionais orais e não exige a suspensão da medicação, ao contrário do que ocorre em casos de adenomas volumosos.
A imensa maioria dos cistos hepáticos simples é assintomática e não requer tratamento. A intervenção (geralmente por escleroterapia ou destelhamento laparoscópico) é reservada apenas para cistos sintomáticos, que causam dor compressiva, ou em casos raros de complicações como ruptura ou hemorragia intracística.
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