Cisto Hemorrágico Ovariano: Diagnóstico e Manejo Clínico

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 38 anos, queixando-se de dor pélvica há cerca de 15 dias, após o período menstrual de moderada intensidade que melhora com uso de Anti-Inflamatório Não Hormonal (AINH). Nega atraso menstrual. Traz ultrassonografia transvaginal que mostra massa de aspecto cístico com cerca de 6 cm de diâmetro, bem delimitada, de conteúdo heterogêneo, de aspecto reticular, em ovário direito, sem vascularização ao uso de doppler colorido. Esse quadro pode sugerir: 

Alternativas

  1. A) Cisto hemorrágico ovariano. Programar cirurgia para exérese da massa pois há suspeita de malignidade.
  2. B) Cisto hemorrágico ovariano. Fazer seguimento seriado, pois essas massas costumam desaparecer em 6 a 8 semanas.
  3. C) Gravidez tubária. Encaminhar para cirurgia o mais breve possível pelo risco de abdome agudo.
  4. D) Abscesso tubo ovariano. Iniciar tratamento com doxiciclina 100 mg oral de 12\12 horas por 10 dias.
  5. E) Cisto funcional. Solicitar CA-125 para descartar a possibilidade de massa maligna. 

Pérola Clínica

Cisto ovariano cístico, heterogêneo, reticular, avascular ao Doppler, com dor pélvica pós-menstrual → cisto hemorrágico. Conduta: seguimento.

Resumo-Chave

Um cisto hemorrágico ovariano é um tipo de cisto funcional que ocorre quando há sangramento para dentro de um folículo ou corpo lúteo. Sua apresentação ultrassonográfica típica inclui conteúdo heterogêneo ou reticular (devido ao coágulo) e ausência de vascularização ao Doppler, sendo geralmente benigno e autolimitado.

Contexto Educacional

Os cistos ovarianos são achados comuns em mulheres em idade reprodutiva, sendo a maioria de natureza funcional e benigna. O cisto hemorrágico ovariano é um tipo de cisto funcional que surge quando há sangramento para dentro de um folículo ovariano (cisto folicular hemorrágico) ou de um corpo lúteo (cisto de corpo lúteo hemorrágico) após a ovulação. A dor pélvica associada a esses cistos é comum e pode variar de intensidade, muitas vezes melhorando com analgésicos. A história de dor pós-menstrual é sugestiva, pois coincide com a fase lútea do ciclo. A ultrassonografia transvaginal é a principal ferramenta diagnóstica. Um cisto hemorrágico típico apresenta-se como uma massa cística com conteúdo interno heterogêneo, que pode variar de um padrão reticular fino (fibrina) a um coágulo mais denso, dando um aspecto de 'teia de aranha' ou 'renda'. A ausência de vascularização interna ao Doppler colorido é um achado crucial que ajuda a diferenciá-lo de massas malignas, que geralmente são hipervascularizadas. O tamanho do cisto pode variar, mas a maioria é menor que 10 cm. A conduta para cistos hemorrágicos ovarianos é predominantemente conservadora. Na ausência de sinais de ruptura, hemorragia ativa ou características suspeitas de malignidade, o seguimento clínico e ultrassonográfico seriado é recomendado. A grande maioria desses cistos se resolve espontaneamente em um período de 6 a 8 semanas. A cirurgia é reservada para casos de dor persistente e intensa, cistos muito grandes que não regridem, ou quando há suspeita de complicação (torção, ruptura com hemoperitônio significativo) ou malignidade.

Perguntas Frequentes

Quais características ultrassonográficas sugerem um cisto hemorrágico ovariano?

Um cisto hemorrágico ovariano tipicamente apresenta um aspecto cístico com conteúdo interno heterogêneo, reticular ou com ecos finos, devido à presença de coágulo sanguíneo. A ausência de vascularização ao Doppler colorido é um achado importante que diferencia de massas sólidas ou malignas.

Qual a conduta para um cisto hemorrágico ovariano?

A conduta mais apropriada para um cisto hemorrágico ovariano, na ausência de sinais de ruptura ou complicação grave, é o seguimento clínico e ultrassonográfico seriado. A maioria desses cistos é funcional e se resolve espontaneamente em 6 a 8 semanas, sem necessidade de intervenção cirúrgica.

Como diferenciar um cisto hemorrágico de uma massa ovariana maligna?

Cistos hemorrágicos geralmente são unilaterais, bem delimitados, com ausência de vascularização interna ao Doppler e tendem a regredir. Massas malignas frequentemente apresentam componentes sólidos, vascularização interna abundante e irregular ao Doppler, septações espessas, ascite e marcadores tumorais elevados.

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