Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020
Uma paciente nuligesta de 28 anos de idade deu entrada no pronto-socorro com queixa de dor em fossa ilíaca esquerda há um dia. Refere ciclos menstruais regulares, com duração de três dias e intervalos de 28 dias, e nega dismenorreia. DUM há quinze dias. Ao exame físico, paciente em bom estado geral, corada, hidratada, afebril, com frequência cardíaca de 86 bpm, pressão arterial de 110 x 70 mmHg, abdome plano, flácido, doloroso à palpação profunda de fossa ilíaca esquerda e DB negativo. Ao toque, útero intrapélvico, móvel, indolor à mobilização, e anexo esquerdo pouco aumentado e discretamente doloroso à manipulação. Hb: 12; leucócitos: 6.700 e PCR: 1. Realizou USG TV, que revelou: cisto hemorrágico de 3 cm em ovário direito. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada.
Cisto hemorrágico ovariano < 5 cm em paciente estável → conduta expectante e sintomáticos.
Cistos hemorrágicos ovarianos são frequentemente funcionais e autolimitados. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de complicação grave (como ruptura com sangramento ativo ou torção), a conduta expectante com analgesia é a mais adequada.
Cistos ovarianos são achados comuns em mulheres em idade reprodutiva, e a maioria é de natureza funcional, ou seja, relacionada ao ciclo menstrual. Os cistos hemorrágicos são um tipo de cisto funcional, geralmente decorrentes de um corpo lúteo que sangra para dentro de sua própria cavidade. Embora possam causar dor aguda, a grande maioria é autolimitada e se resolve espontaneamente em algumas semanas. A avaliação de uma paciente com dor pélvica aguda deve sempre incluir um exame físico completo, exames laboratoriais (hemograma, beta-HCG para excluir gravidez) e, idealmente, uma ultrassonografia pélvica. A estabilidade hemodinâmica da paciente é o fator mais importante na decisão da conduta. Se a paciente estiver estável, afebril, com exames laboratoriais normais e a ultrassonografia mostrar um cisto hemorrágico sem sinais de ruptura ativa ou torção, o manejo conservador é a primeira escolha. O tratamento conservador envolve analgesia e observação. A cirurgia (laparoscopia) é reservada para casos de instabilidade hemodinâmica, dor refratária, suspeita de torção ovariana, cistos muito grandes ou com características suspeitas de malignidade. A ooforectomia é uma medida mais radical e raramente indicada para cistos funcionais benignos, especialmente em mulheres jovens que desejam preservar a fertilidade.
Os sintomas incluem dor pélvica unilateral aguda, que pode ser leve a intensa, e pode estar associada a náuseas ou vômitos. Em casos de sangramento significativo, pode haver sinais de instabilidade hemodinâmica.
A conduta expectante é apropriada para pacientes hemodinamicamente estáveis, com dor controlável, sem sinais de peritonite e com cistos de tamanho pequeno a moderado (<5-7 cm) sem características de malignidade na ultrassonografia.
Os diferenciais incluem cisto ovariano (funcional, hemorrágico, roto), torção de ovário, doença inflamatória pélvica, apendicite (atípica), gravidez ectópica, endometriose e litíase ureteral.
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