Cisto Esplênico Verdadeiro: Diagnóstico e Diferenciação Histopatológica

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Em um homem, 28 anos, assintomático, foi encontrado incidentalmente um cisto esplênico na TC de abdome. Ele foi, então, submetido à esplenectomia cirúrgica, cujo laudo histopatológico revelou: lesão cística uniloculada, medindo 6cm no maior eixo, revestida por epitélio escamoso sem atipias. A hipótese diagnóstica mais provável é:

Alternativas

  1. A) cisto verdadeiro
  2. B) pseudocisto
  3. C) abscesso
  4. D) linfangioma

Pérola Clínica

Cisto esplênico verdadeiro = revestimento epitelial; Pseudocisto = ausência de revestimento epitelial.

Resumo-Chave

A presença de revestimento epitelial na parede de um cisto é a característica histopatológica distintiva que define um cisto como 'verdadeiro' ou 'primário'. Cistos esplênicos verdadeiros são geralmente congênitos, como os cistos epidermoides ou dermoides, e são revestidos por epitélio escamoso, colunar ou cuboide. Pseudocistos, por outro lado, surgem de trauma ou inflamação e não possuem revestimento epitelial.

Contexto Educacional

Cistos esplênicos são lesões relativamente raras, frequentemente descobertas incidentalmente em exames de imagem. Eles são classificados em verdadeiros (ou primários) e pseudocistos (ou secundários). A distinção é crucial para o entendimento da etiologia e, em alguns casos, para o manejo. Cistos verdadeiros são geralmente congênitos e representam cerca de 25% de todos os cistos esplênicos. A fisiopatologia dos cistos verdadeiros está ligada a anomalias do desenvolvimento, como inclusões de células epiteliais durante a embriogênese. Eles podem ser de origem epidermoide (revestidos por epitélio escamoso), dermoide (com anexos cutâneos) ou mesotelial. Pseudocistos, por outro lado, resultam de eventos como trauma, infarto ou infecção, levando à formação de uma cavidade sem revestimento epitelial. O diagnóstico é frequentemente incidental por exames de imagem como TC ou ultrassonografia, mas a confirmação definitiva da natureza do cisto (verdadeiro vs. pseudocisto) é histopatológica após ressecção. O tratamento dos cistos esplênicos depende do tamanho, sintomas e tipo. Cistos pequenos e assintomáticos podem ser apenas observados. Cistos maiores, sintomáticos ou com risco de complicações (ruptura, hemorragia, infecção) geralmente requerem intervenção cirúrgica, que pode variar de drenagem percutânea, fenestração laparoscópica ou esplenectomia parcial/total. O caso descrito, com revestimento epitelial escamoso, é um exemplo clássico de cisto verdadeiro, provavelmente epidermoide.

Perguntas Frequentes

Quais são as características de um cisto esplênico verdadeiro?

Um cisto esplênico verdadeiro é caracterizado pela presença de um revestimento epitelial na sua parede, que pode ser escamoso, colunar ou cuboide. Eles são geralmente congênitos e podem ser classificados como epidermoides, dermoides ou mesoteliais.

Como diferenciar um cisto verdadeiro de um pseudocisto esplênico?

A principal diferença é histopatológica: cistos verdadeiros possuem revestimento epitelial, enquanto pseudocistos não. Pseudocistos são geralmente sequelas de trauma, infarto ou inflamação e sua parede é composta por tecido fibroso sem epitélio.

Quando a esplenectomia é indicada para cistos esplênicos?

A esplenectomia é indicada para cistos esplênicos sintomáticos (dor, compressão de órgãos adjacentes), cistos grandes (>5-10 cm) com risco de ruptura ou hemorragia, ou quando há suspeita de malignidade. Para cistos assintomáticos e pequenos, a conduta pode ser observação.

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