INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021
Uma criança de 6 anos que procura atendimento na Unidade Local de Saúde do seu bairro por apresentar, há cerca de 30 dias, tumoração cervical na linha média, móvel à deglutição e indolor. A mãe refere que observou um crescimento progressivo da lesão, mas sem nenhum sinal flogístico desde o início do quadro. Referenciada para atendimento em um ambulatório de cirurgia pediátrica, no momento do exame físico, a criança estava hígida sem nenhum outro achado a não ser a tumoração na linha média do pescoço, acima da cartilagem cricoide, arredondada, móvel e de consistência fibroelástica. Qual o diagnóstico e conduta a serem adotados a seguir?
Tumoração cervical linha média, móvel à deglutição, indolor em criança → Cisto do Ducto Tireoglosso; tratamento: cirurgia de Sistrunk.
O cisto do ducto tireoglosso é a anomalia congênita mais comum da linha média cervical, apresentando-se como uma massa indolor e móvel à deglutição. O tratamento definitivo é cirúrgico, através do procedimento de Sistrunk, que remove o cisto, o trato e a porção central do osso hioide para prevenir recidivas.
O cisto do ducto tireoglosso (CDT) é a anomalia congênita mais comum da linha média cervical, representando cerca de 70% de todas as massas cervicais congênitas. Ele surge de um remanescente do ducto tireoglosso, que é o trajeto embrionário de descida da glândula tireoide da base da língua até sua posição final no pescoço. Embora presente desde o nascimento, o cisto geralmente se torna clinicamente aparente na infância ou adolescência, muitas vezes após uma infecção de vias aéreas superiores que causa seu aumento. Clinicamente, o CDT se apresenta como uma massa indolor, arredondada ou ovalada, de consistência fibroelástica, localizada na linha média do pescoço, geralmente abaixo do osso hioide, mas pode ocorrer em qualquer ponto ao longo do trajeto do ducto. Uma característica patognomônica é sua mobilidade à deglutição e à protrusão da língua, devido à sua conexão com o osso hioide e, por vezes, com a base da língua. O diagnóstico é primariamente clínico, podendo ser complementado por ultrassonografia para confirmar a natureza cística e avaliar a presença da glândula tireoide em sua posição normal. O tratamento definitivo do cisto do ducto tireoglosso é cirúrgico, através do procedimento de Sistrunk. Esta técnica envolve a excisão do cisto, do trajeto fistuloso até a base da língua e, crucialmente, da porção central do osso hioide. A inclusão do osso hioide é essencial para remover qualquer tecido ductal remanescente que possa estar aderido a ele, reduzindo significativamente a taxa de recidiva, que é alta se apenas o cisto for removido. É fundamental que os residentes compreendam a anatomia embriológica e a técnica cirúrgica para garantir um manejo adequado e evitar complicações.
Um cisto do ducto tireoglosso tipicamente se apresenta como uma massa indolor, arredondada e de consistência fibroelástica na linha média do pescoço, geralmente abaixo do osso hioide, que se move com a deglutição e a protrusão da língua.
A cirurgia de Sistrunk é o tratamento de escolha porque remove não apenas o cisto, mas também o trajeto fistuloso remanescente do ducto tireoglosso e a porção central do osso hioide, que frequentemente está em íntima relação com o ducto, minimizando drasticamente o risco de recidiva.
Os principais diagnósticos diferenciais incluem linfonodomegalia, cisto dermoide, cisto epidermoide, tireoide ectópica e, menos comumente, tumores malignos. A mobilidade à deglutição é um forte indicativo de cisto do ducto tireoglosso.
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