UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024
Menina, 3 anos, após infecção de via aérea superior, apresentou ao exame físico um nódulo amolecido, na linha média do pescoço, indolor, com mobilidade na linha média durante a deglutição. O diagnóstico provável é:
Massa na linha média cervical que se move à deglutição ou protrusão da língua = Cisto Tireoglosso.
O cisto tireoglosso é a malformação cervical congênita mais comum, caracterizada por uma massa na linha média que se move verticalmente com a deglutição.
O cisto do ducto tireoglosso resulta da falha na involução do canal epitelial que conecta a glândula tireoide em formação à base da língua durante a embriogênese. É a causa mais comum de massas cervicais congênitas, manifestando-se tipicamente na primeira década de vida, muitas vezes após um episódio de infecção respiratória superior que causa inflamação do remanescente ductal. O diagnóstico é eminentemente clínico, mas a ultrassonografia é essencial para localizar a glândula tireoide normal no pescoço. Isso evita a remoção inadvertida de uma tireoide ectópica, que pode ser o único tecido tireoidiano do paciente. Embora benigno na vasta maioria dos casos, o tratamento cirúrgico (Sistrunk) é indicado para prevenir infecções recorrentes, abscessos e o risco raríssimo de degeneração maligna futura.
A característica mais marcante é a mobilidade da massa cervical no sentido vertical durante a deglutição ou a protrusão da língua. Isso ocorre porque o cisto mantém uma conexão embriológica com a base da língua através do ducto tireoglosso, que passa ou está intimamente ligado ao corpo do osso hioide.
Ambos podem ocorrer na linha média cervical. No entanto, o cisto dermoide costuma ser mais superficial, tem consistência 'amanteigada' à palpação e, crucialmente, não apresenta mobilidade à protrusão da língua, pois não possui conexão com o trajeto do ducto tireoglosso.
É o tratamento cirúrgico definitivo que envolve a ressecção completa do cisto, de todo o trajeto do ducto tireoglosso até a base da língua (forame cego) e, obrigatoriamente, da porção central do osso hioide. A remoção do hioide é o passo crítico para reduzir a taxa de recorrência de cerca de 50% para menos de 5%.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo