MedEvo Simulado — Prova 2026
Davi, um menino de 8 anos, é levado ao consultório pediátrico devido ao surgimento de um abaulamento indolor na região anterior do pescoço, percebido pelos pais há cerca de quatro meses. Ao exame físico, o cirurgião identifica uma massa de aproximadamente 2,5 cm, de consistência elástica, localizada rigorosamente na linha média cervical, logo abaixo do nível do osso hioide. Nota-se que a referida massa apresenta movimentação vertical ascendente tanto durante a deglutição quanto no momento em que o paciente realiza a protrusão da língua. Não há sinais de inflamação local, fístulas ou linfonodomegalias cervicais suspeitas. A ultrassonografia revela uma imagem cística anecoica, de contornos regulares, situada em topografia pré-laríngea. Com base na principal hipótese diagnóstica, a conduta cirúrgica definitiva recomendada é:
Cisto em linha média que sobe à protrusão da língua = Ducto Tireoglosso → Cirurgia de Sistrunk.
O cisto do ducto tireoglosso é a malformação cervical congênita mais comum. O tratamento definitivo é a cirurgia de Sistrunk, que remove o cisto, o corpo do osso hioide e o trajeto ductal até a base da língua.
O cisto do ducto tireoglosso resulta da falha na involução do trajeto epitelial percorrido pela glândula tireoide durante a embriogênese. Clinicamente, manifesta-se como uma massa indolor, firme e elástica na linha média cervical, geralmente abaixo do osso hioide. A ultrassonografia é o exame de escolha inicial para confirmar a natureza cística e, crucialmente, para verificar se a glândula tireoide está presente em sua topografia normal, evitando a remoção inadvertida de uma tireoide ectópica. O risco de malignização (carcinoma papilífero) existe, embora seja raro (<1%). A cirurgia de Sistrunk é mandatória devido ao alto risco de infecções recorrentes e fístulas se o cisto for deixado in situ ou operado de forma incompleta.
Durante o desenvolvimento embrionário, a tireoide desce da base da língua (forame cego) até sua posição cervical definitiva, permanecendo conectada por um ducto que atravessa ou passa rente ao osso hioide. Como o ducto tireoglosso está anatomicamente ligado à base da língua e ao osso hioide, qualquer movimento dessas estruturas (como deglutição ou protrusão lingual) traciona o trajeto remanescente, elevando o cisto.
A cirurgia de Sistrunk é o tratamento cirúrgico padrão para o cisto do ducto tireoglosso. Consiste na exérese completa do cisto, da porção central (corpo) do osso hioide e de um bloco de tecido muscular supra-hioideo que contém o remanescente do ducto até o forame cego na base da língua. Essa técnica reduz a taxa de recidiva para menos de 3-5%.
Os principais diferenciais incluem o cisto dermoide (que não se move com a língua e costuma ser mais superficial), linfonodomegalias submentonianas, cisto de fenda branquial (geralmente lateral), tireoide ectópica (único tecido tireoidiano da paciente, deve ser descartado por USG) e hemangiomas.
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