MedEvo Simulado — Prova 2026
Um menino de 7 anos é levado à consulta pediátrica devido ao surgimento de uma tumoração na região anterior do pescoço, notada pela mãe há dois meses após um episódio de infecção de vias aéreas superiores. A massa é indolor e sem sinais inflamatórios atuais. Ao exame físico, observa-se uma lesão cística, de aproximadamente 2,5 cm, localizada na linha média cervical, logo acima da cartilagem tireoide. Durante a palpação, o examinador solicita que a criança protrua a língua, momento em que se percebe a ascensão nítida da tumoração. A ultrassonografia cervical confirma lesão cística unilocular em linha média, e identifica glândula tireoide tópica de aspecto normal. Considerando o diagnóstico mais provável e o tratamento cirúrgico adequado, assinale a alternativa correta:
Massa cervical linha média que ascende à protrusão da língua = Cisto do ducto tireoglosso.
O cisto do ducto tireoglosso é a malformação cervical congênita mais comum, exigindo a Cirurgia de Sistrunk (remoção do cisto + corpo do hioide) para prevenir recidivas.
O cisto do ducto tireoglosso representa a anomalia congênita cervical mais frequente, surgindo da falha de involução do ducto que une o forame cego à glândula tireoide definitiva. Embora possa ser diagnosticado em qualquer idade, é mais comum na primeira década de vida, frequentemente tornando-se visível após uma infecção das vias aéreas superiores que causa aumento do tecido linfoide adjacente ou inflamação do cisto. Clinicamente, apresenta-se como uma massa indolor, firme e elástica na linha média, geralmente ao nível do osso hioide ou cartilagem tireoide. O tratamento é essencialmente cirúrgico devido ao risco de infecções recorrentes (tireoidite ou abscesso cervical) e, raramente, à transformação maligna (carcinoma papilífero em menos de 1% dos casos). A técnica de Sistrunk deve ser sempre preconizada para garantir a cura definitiva.
O cisto do ducto tireoglosso é um remanescente embrionário do trajeto de descida da glândula tireoide, que se origina na base da língua (forame cego). Durante o desenvolvimento, esse ducto mantém uma conexão anatômica estreita com o osso hioide e a base da língua. Quando o paciente protrui a língua ou deglute, a musculatura extrínseca da língua e os músculos supra-hioideos tracionam o trajeto remanescente para cima. Clinicamente, essa mobilidade vertical é o sinal patognomônico que diferencia o cisto de outras massas cervicais da linha média, como o cisto dermoide, que não apresenta essa característica dinâmica ao exame físico.
A Cirurgia de Sistrunk é o procedimento cirúrgico definitivo para o tratamento do cisto do ducto tireoglosso. Ela consiste na exérese completa do cisto, do trajeto ductal, da porção central (corpo) do osso hioide e de um núcleo de tecido muscular da base da língua até o nível do forame cego. A inclusão do osso hioide é crítica porque o ducto frequentemente passa através ou imediatamente adjacente a ele. A técnica de Sistrunk reduziu drasticamente as taxas de recorrência de aproximadamente 50% (na exérese simples) para menos de 5%, tornando-se o padrão-ouro absoluto na cirurgia pediátrica e de cabeça e pescoço.
Os principais diferenciais incluem o cisto dermoide, que é mais superficial e não se move com a língua; a tireoide ectópica, que pode ser o único tecido tireoidiano funcionante do paciente (exigindo USG pré-operatório para confirmação de tireoide tópica); e linfonodomegalias submentonianas. Menos comumente, pode-se considerar laringoceles ou hemangiomas. A ultrassonografia é o exame de escolha inicial para confirmar a natureza cística da lesão e, crucialmente, para documentar a presença da glândula tireoide em sua posição anatômica normal antes de qualquer intervenção cirúrgica que possa remover tecido tireoidiano ectópico por engano.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo