MedEvo Simulado — Prova 2026
Um paciente de 22 anos, sexo masculino, procura atendimento médico devido ao surgimento de uma nodulação indolor na região anterior do pescoço, notada há aproximadamente oito meses. Relata que a lesão aumenta discretamente de volume durante episódios de infecção das vias aéreas superiores. Ao exame físico, observa-se uma massa de 3,0 cm de diâmetro, de consistência cística e superfície lisa, localizada rigorosamente na linha média cervical, ao nível do osso hioide. A palpação revela que a massa apresenta mobilidade vertical nítida durante a deglutição e, de forma mais característica, durante a manobra de protrusão da língua. A ultrassonografia cervical confirma a natureza cística da lesão e identifica a glândula tireoide em sua topografia habitual no compartimento infra-hioideo. Diante do diagnóstico mais provável, o cirurgião propõe o tratamento cirúrgico definitivo. Com base na anatomia e embriologia dessa patologia, assinale a alternativa que descreve corretamente os fundamentos do tratamento e da gênese da lesão.
Cisto tireoglosso = Linha média + Elevação à protrusão da língua → Cirurgia de Sistrunk (Hioide + Trajeto).
O cisto do ducto tireoglosso é a anomalia congênita cervical mais comum. O tratamento definitivo é a Cirurgia de Sistrunk, que remove o cisto, o corpo do hioide e o trajeto ductal.
O cisto do ducto tireoglosso representa uma falha na involução do ducto epitelial que conecta o forame cego (origem embriológica da tireoide na faringe primitiva) à posição final da glândula no pescoço. Clinicamente, manifesta-se como uma massa indolor, firme e cística na linha média cervical, frequentemente próxima ao osso hioide. Um sinal patognomônico é a mobilidade vertical durante a deglutição e a protrusão da língua. A compreensão da anatomia cirúrgica é vital para o residente de cirurgia. A técnica de Sistrunk reduziu as taxas de recorrência de 50% para menos de 5%. A cirurgia deve ser realizada preferencialmente fora de episódios infecciosos, embora infecções de repetição sejam comuns devido à comunicação persistente com a orofaringe. A presença de tecido tireoidiano ectópico ou mesmo carcinoma papilífero dentro do cisto (embora raro, <1%) deve ser sempre considerada no pós-operatório.
Isso ocorre devido à sua origem embriológica. A glândula tireoide se origina no forame cego, na base da língua, e desce pelo pescoço através do ducto tireoglosso, que passa ou se envolve intimamente com o osso hioide. Como o ducto permanece conectado à base da língua, qualquer movimento da musculatura lingual ou a deglutição traciona o trajeto remanescente, elevando o cisto fixado a ele.
A Operação de Sistrunk é o tratamento cirúrgico padrão-ouro. Ela envolve a ressecção completa do cisto, da porção central (corpo) do osso hioide e de um bloco de tecido muscular supra-hioideo que contém o trajeto ductal remanescente até o forame cego na base da língua. Essa abordagem radical é necessária porque o ducto tireoglosso frequentemente atravessa ou possui ramificações microscópicas ao redor do osso hioide.
O principal diagnóstico diferencial é o cisto dermoide, que também ocorre na linha média, mas geralmente não se move com a protrusão da língua. O exame inicial de escolha é a ultrassonografia cervical, que confirma a natureza cística da lesão e, crucialmente, deve identificar a presença da glândula tireoide em sua posição normal para descartar uma tireoide ectópica (onde o cisto seria o único tecido tireoidiano funcional do paciente).
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