UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022
Feminino, 29 anos, comparece em consulta ginecológica de rotina, assintomática. Nuligesta, refere ciclos menstruais mensais e está em uso de contraceptivo oral combinado. Nega queixas intestinais. Ao exame físico, palpa-se massa de 7-8 cm em região anexial esquerda, fibroelástica, móvel e indolor. A ultrassonografia transvaginal evidencia formação sólido-cística de medidas 6,2 x 5,6 cm, em topografia de anexo esquerdo, contendo áreas hiperecogênicas produtoras de sombra acústica (calcificações), áreas hipoecoicas com debris e algumas septações. Apresenta Dopplerfluxometria sem alterações. Diante do exposto, o diagnóstico do caso apresentado é:
Massa anexial sólido-cística com calcificações, debris e Doppler normal em mulher jovem assintomática → cisto dermoide (teratoma cístico maduro).
O cisto dermoide, ou teratoma cístico maduro, é o tumor ovariano de células germinativas mais comum, geralmente benigno. Sua apresentação ultrassonográfica típica inclui um componente sólido-cístico com áreas hiperecogênicas (gordura, cabelo, dentes) que produzem sombra acústica (calcificações) e debris, com Dopplerfluxometria sem alterações significativas, refletindo sua natureza benigna.
O cisto dermoide, também conhecido como teratoma cístico maduro, é o tumor de células germinativas mais comum do ovário, representando cerca de 10-20% de todas as neoplasias ovarianas. É predominantemente benigno e pode conter tecidos de todas as três camadas germinativas (ectoderma, mesoderma, endoderma), como pele, cabelo, dentes, gordura e cartilagem. Sua importância clínica reside na necessidade de diferenciá-lo de outras massas anexiais, benignas ou malignas, e no manejo adequado para prevenir complicações. A fisiopatologia envolve a proliferação de células germinativas totipotentes. O diagnóstico é frequentemente incidental, durante exames de rotina, ou em investigação de dor pélvica. A ultrassonografia transvaginal é o método de imagem de escolha, revelando uma massa sólido-cística heterogênea com características altamente sugestivas: áreas hiperecogênicas (gordura, cabelo) com sombra acústica posterior (calcificações, dentes), e o 'nódulo de Rokitansky' (uma projeção mural sólida). A Dopplerfluxometria geralmente não mostra vascularização atípica, reforçando a benignidade. O manejo de cistos dermoides depende do tamanho, sintomas e idade da paciente. Cistos pequenos e assintomáticos podem ser acompanhados. No entanto, devido ao risco de torção ovariana (especialmente para cistos >5 cm) e, mais raramente, ruptura ou transformação maligna, a remoção cirúrgica (cistectomia laparoscópica) é frequentemente indicada, especialmente em mulheres jovens para preservar o tecido ovariano. Para residentes, é crucial reconhecer os achados ultrassonográficos clássicos para um diagnóstico preciso e um plano de manejo adequado.
Um cisto dermoide geralmente apresenta-se como uma massa sólido-cística com áreas hiperecogênicas (componente gorduroso, cabelo) que podem produzir sombra acústica (calcificações, dentes), além de debris e septações finas. O sinal do 'nódulo de Rokitansky' é patognomônico.
Para cistos dermoides assintomáticos, pequenos (<5-6 cm) e com características benignas na imagem, pode-se optar por acompanhamento ultrassonográfico. Cistos maiores, sintomáticos ou com suspeita de complicação (torção, ruptura) geralmente requerem remoção cirúrgica.
As principais complicações incluem torção ovariana (a mais comum), ruptura (podendo causar peritonite química), infecção e, raramente, transformação maligna (mais comum em mulheres mais velhas).
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