PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
As dilatações congênitas do trato biliar são condições raras, mas cujo entendimento é crucial para suspeição diagnóstica e tratamento. Sobre este tema, julgue as sentenças a seguir como verdadeiras ou falsas e, após, assinale a alternativa CORRETA. ( ) Cistos de colédoco podem ser congênitos ou adquiridos. No segundo caso a teoria amplamente aceita descreve um canal pancreático-biliar comum longo, favorecendo o refluxo dos líquidos pancreáticos para o ducto biliar. ( ) A classificação utilizada é a de Todani, onde a coledococele é o tipo II e a doença de Caroli o tipo V. ( ) A tríade clássica do cisto de colédoco em lactentes é composta por febre, icterícia e massa palpável. ( ) Complicações como perfuração e hemobilia são raras, porém, a pancreatite é comum. ( ) O exame inicial a ser realizado é a ultrassonografia, contudo, o padrão-ouro é a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica.
Todani V = Caroli; USG é inicial, mas Colangio-RM é o padrão-ouro atual (não CPRE).
Cistos de colédoco são dilatações congênitas classificadas por Todani; a teoria etiológica principal envolve a junção pancreatobiliar anômala e refluxo de enzimas.
As dilatações congênitas do trato biliar, embora raras, possuem grande relevância clínica devido ao risco de colangiocarcinoma (especialmente nos tipos I e IV). A teoria de Babbitt sugere que uma junção anômala entre o ducto colédoco e o ducto pancreático (canal comum longo) permite o refluxo de suco pancreático para a via biliar, causando inflamação crônica, enfraquecimento da parede e dilatação. O tratamento é predominantemente cirúrgico para os tipos I, II e IV, envolvendo a ressecção completa do cisto e reconstrução biliar (geralmente hepaticojejunostomia em Y de Roux). O tipo III (coledococele) pode ser tratado endoscopicamente. O tipo V (Caroli) é o mais desafiador, podendo exigir ressecções hepáticas segmentares ou até transplante hepático em casos de doença difusa com insuficiência hepática ou colangites recorrentes.
A Classificação de Todani divide as dilatações em cinco tipos principais: Tipo I (mais comum, dilatação fusiforme ou sacular do ducto biliar comum), Tipo II (divertículo verdadeiro do ducto biliar), Tipo III (coledococele, dilatação da porção intraduodenal), Tipo IV (dilatações múltiplas intra e extra-hepáticas) e Tipo V (Doença de Caroli, dilatações limitadas aos ductos intra-hepáticos). Essa classificação é fundamental para o planejamento cirúrgico, pois os riscos de malignização e as técnicas de ressecção variam conforme a localização e extensão da doença.
A tríade clássica é composta por dor abdominal, icterícia e massa palpável no hipocôndrio direito. No entanto, essa apresentação completa é encontrada em apenas cerca de 20% dos pacientes, sendo mais comum em crianças maiores e adultos. Em lactentes, a apresentação costuma ser mais inespecífica, frequentemente manifestando-se apenas como icterícia obstrutiva ou vômitos. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações como cirrose biliar secundária, pancreatite de repetição e a temida transformação em colangiocarcinoma.
Historicamente, a CPRE era considerada o padrão-ouro devido à sua alta resolução espacial. Contudo, por ser um procedimento invasivo, carrega riscos significativos como pancreatite pós-CPRE, sangramento e perfuração. Atualmente, a CPRM é o padrão-ouro diagnóstico por ser não invasiva, não utilizar radiação ionizante e fornecer uma excelente visualização da árvore biliar e da junção pancreatobiliar anômala. A CPRE fica reservada para casos onde há necessidade de intervenção terapêutica imediata, como a drenagem de uma coledococele sintomática ou remoção de cálculos associados.
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