UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Mulher, 40 anos, apresenta história de pancreatite aguda, há cerca de 1 ano. RM do abdome: dilatação fusiforme de via biliar principal, iniciada cerca de 2 cm abaixo da bifurcação dos ductos hepáticos; cisto mede 4,0cm, classificado como Todani tipo I. A conduta mais adequada é:
Todani I → Ressecção completa do cisto + Hepaticojejunostomia em Y-de-Roux.
Cistos de colédoco tipo I (fusiformes) exigem tratamento cirúrgico definitivo com ressecção total da via biliar dilatada devido ao alto risco de malignização e complicações inflamatórias.
Os cistos de colédoco são malformações congênitas das vias biliares que, embora mais diagnosticadas na infância, podem se manifestar em adultos com a tríade clássica de dor abdominal, icterícia e massa palpável (presente em apenas 20% dos casos). A classificação de Todani orienta o manejo: o tipo I (extra-hepático fusiforme) e o tipo IV (múltiplos cistos intra e extra-hepáticos) são os mais frequentes. A fisiopatologia está intimamente ligada à junção anômala do ducto colédoco com o ducto pancreático, permitindo o refluxo de enzimas pancreáticas para a via biliar, causando inflamação crônica, enfraquecimento da parede ductal e metaplasia, o que justifica a necessidade de ressecção cirúrgica agressiva para prevenção de neoplasias.
A principal indicação para a ressecção é o risco elevado de desenvolvimento de colangiocarcinoma, que pode chegar a 30% em adultos se o cisto não for removido. Além disso, os cistos predispõem a estase biliar, formação de cálculos, colangite recorrente e pancreatite crônica devido à junção pancreatobiliar anômala frequentemente associada.
O tipo I é o mais comum (80-90% dos casos) e consiste na dilatação cística ou fusiforme da via biliar extra-hepática (colédoco). Ele é subdividido em IA (dilatação de todo o colédoco), IB (dilatação segmentar) e IC (dilatação fusiforme), sendo que todos compartilham a mesma estratégia terapêutica cirúrgica.
A técnica padrão-ouro envolve a colecistectomia, a ressecção completa de toda a porção dilatada da via biliar extra-hepática e a reconstrução do trânsito biliar através de uma hepaticojejunostomia em Y-de-Roux, garantindo drenagem biliar adequada e prevenindo o refluxo de secreções pancreáticas.
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